Por 14 anos, tive o privilégio de disfrutar da amizade da Vanessa, uma cachorrinha da raça Gos Rater Valencià que eu peguei ainda filhotinha com só 50 dias numa feirinha de adoção em Porto Alegre em julho de 2012, acreditando tratar-se de uma autêntica vira-lata, sem saber que a raça também conhecida como ratonero valenciano havia sido reconhecida oficialmente apenas na Espanha já em 2004, e cujo reconhecimento a nível internacional deu-se apenas em 2022 quando ela já tinha 10 anos. Um problema de fígado, decorrente da idade e que já vinha se manifestando esporadicamente nos últimos 4 anos, foi o que tornou inevitável a eutanásia no começo desse mês, além de uma ulceração de córnea ter causado a perda da visão do olho esquerdo da Vanessa ainda no ano passado, embora o glaucoma no olho direito diagnosticado aos 12 anos permanecesse sob controle mediante uso de colírio duas vezes por dia. Minha primeira experiência com essa raça específica, frequentemente confundida tanto com o fox paulistinha quanto com o rat terrier, e também com o fox chileno/terrier chileno em interações com turistas chilenos principalmente durante verões em Florianópolis, me surpreendeu pela inteligência e personalidade forte que a Vanessa demonstrava em algumas situações, a ponto de certa vez a veterinária dizer que ela estava me "manobrando" para ganhar comida em vez da ração, embora essa tenha sido apenas uma dentre tantas ocasiões que me fizeram questionar alguns rankings que classificam outras raças mais famosas como sendo as mais inteligentes.
Embora o ratonero valenciano tenha sido selecionado para a caça de pequenos roedores que se deixados sem controle poderiam destruir as lavouras ou causar danos à produção em celeiros e armazéns após a colheita, desde lebres até ratões-do-banhado passando por ratos comuns que se escondiam entre fardos de feno nos estábulos, trata-se de uma raça facilmente adaptável a uma vida mais urbana e até morar em apartamento, embora goste de passeios eventualmente mais longos do que eu às vezes considerava antes de sair com a Vanessa. Definitivamente eu não recomendaria um ratonero valenciano para quem prefere uma vida mais reclusa, e talvez até faça sentido atribuir à Vanessa algumas interações inusitadas que eu tive com gente dos mais variados perfis especificamente por causa dela, desde patricinhas que ficavam surpresas com a procedência dela de uma feirinha de adoção em vez de uma pet-shop e a fotogenicidade dela até ficar sabendo que uma veterinária de nome Vanessa morava a meia quadra de distância... Ainda pretendo ter outro cachorro futuramente, e a preferência é por um vira-lata pelo mesmo motivo que me levou à feirinha de adoção em 2012 que foi uma recusa em pagar um preço exorbitante por um filhote de raça enquanto vira-latas estavam disponíveis para adoção, mas ainda considero pouco provável eu levar outra vez o filhote dominante da ninhada como aconteceu com a Vanessa, e já havia acontecido com um pinscher marrom curitibano que eu tive quando era pequeno e que foi o único cachorro meu nascido fora do Rio Grande do Sul ou de Santa Catarina.
sábado, 22 de agosto de 2026
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Por que talvez uma Belina pudesse ser o carro nacional mais tentador para adaptar um motor Mazda 13B?
Um modelo que teve uma origem bastante improvável, mas teve um certo sucesso no Brasil por causa das políticas de reserva de mercado e uma presença mais modesta em destinos de exportação regional, a Belina é até hoje muito apreciada pelo público com um perfil mais "tiozão raiz". Mesmo quando a Ford passou a oferecer a Belina com motor 1.8 AP de origem Volkswagen no âmbito da joint-venture AutoLatina, com desempenho claramente superior ao proporcionado pelo motor CHT da própria Ford que derivava do motor Renault Cléon-Fonte cujos direitos de produção no Brasil foram incorporados pela Ford à época da fusão com a Willys-Overland do Brasil, certamente ainda seria tentador usar uma Belina como base para adaptação de um motor Mazda 13B só pela diversão. E podem ser apontados diversos motivos, tanto estritamente técnicos quanto outros, que eventualmente possam tornar a Belina o modelo brasileiro mais interessante para fazer uma experiência com o motor Wankel de maior sucesso comercial da história...
Certamente a Mazda já ter sido controlada pela Ford, em que pese a maior autonomia que a engenharia própria da Mazda tinha perante a matriz americana da Ford, faria soar um tanto óbvio que um motor Mazda pudesse ter passado a ser ou produzido no Brasil ou importado diretamente do Japão em doses homeopáticas na época da Belina, tal qual era feito com os motores V8 Windsor de origem canadense, e a necessidade de maior diferenciação perante a concorrência que se modernizava drasticamente na década de '80 poderia ser atendida por um motor Wankel que tivesse uma calibração menos radical, sem ignorar a possibilidade de preparações mais ousadas e ao menos teoricamente fáceis de fazer como nos motores 2-tempos então já restritos às motocicletas no Brasil. O compartimento do motor relativamente amplo, até em função dos motores originais serem instalados em posição longitudinal, também facilitaria um projeto tão ousado, bem como a estrutura da Belina ter sido também aproveitada na rara versão 4X4 que foi um fracasso comercial, mas em último caso deixa claro ser possível arriscar até uma eventual conversão para tração somente traseira, embora na teoria nada impedisse a preservação da tração dianteira normal de série. Em ambos os casos, o tamanho mais compacto e a leveza do motor Mazda 13B comparado tanto ao Cléon-Fonte quanto ao AP tornariam mais tranquilo fazer a adaptação, gerando pouca ou nenhuma sobrecarga à estrutura.
O perfil bastante conservador que pode ser identificado tanto com a Belina quanto com grande parte de quem já teve ou ainda tem uma seria suficiente para criar um contraste com a imagem de pouca ortodoxia inerente aos motores Wankel, o que acabaria sendo outro motivo para ficar mais tentador fazer a adaptação, e atrair olhares curiosos para o que poderia parecer simplesmente mais um "carro de tiozão raiz". Naturalmente seria o caso de evitar descaracterizações estéticas muito ousadas, exatamente para preservar o conceito de sleeper e como ninguém dava nada por carros japoneses de porte parecido com o da Belina e que tanto receberam um motor Wankel de fábrica no caso da Mazda quanto até hoje contam com uma fanbase no exterior que fazem adaptações com o motor 13B em modelos de outras marcas japonesas geralmente ainda com tração traseira, e que foram contemporâneos da Belina e portanto a tração dianteira já fosse bem difundida a nível mundial em veículos de proposta mais generalista. Enfim, tanto os antigos vínculos da Ford com a Mazda quanto um aspecto visual discreto em oposição à proposta mais radical de um motor Wankel faz da Belina o modelo nacional que seria mais interessante para adaptar um Mazda 13B...











