quarta-feira, 16 de setembro de 2020
Pode a ascensão do Uber favorecer uma maior renovação da frota nacional?
A prevalência da carroceria com 4 portas, a ponto de hatches generalistas atuais como o Fiat Argo não oferecerem a opção por duas portas nem nas versões mais básicas, contrasta com o que ainda ocorria na época do primeiro Fiat Palio Fire no qual a carroceria de duas portas até encontrava uma quantidade de consumidores que justificasse mantê-la em linha. Seja pelo maior apelo da praticidade das 4 portas para o uso familiar ao qual se propunha um carro "popular", seja por eventualmente ainda ter prevalecido um argumento de que só duas portas simplificaria a manutenção e proporcionaria mais rigidez estrutural em comparação à outra opção e eventualmente acabassem sendo mais utilizados em condições de rodagem severas a ponto de poucos remanescentes em bom estado de conservação serem encontrados, já não era tão imprevisível que a situação ganhasse os contornos atuais. E além da maior oferta de equipamentos de conforto e segurança tornar-se um bom argumento a favor de modelos mais recentes, não é possível ignorar que o limite de idade de até 10 anos para um carro ser utilizável em aplicativos como o Uber já faz com que alguns possam preferir gastar mais no financiamento de um Argo até eventualmente com a intenção de usar para complementar a renda ao invés de um Palio Fire com a carroceria usada até 2007 e que pela idade já estaria impossibilitado de atender a essa função mesmo que pudesse servir bem a um uso estritamente particular.
Por mais que um aspecto meramente racional possa fazer com que dentre modelos mais simples ocorra um maior interesse pela renovação de frota, é evidente que outras motivações mais subjetivas podem ter o efeito oposto mantendo o interesse por modelos usados, mas de categorias superiores a exemplo da 1ª geração da Volvo V70. Não se pode negar que um carro importado de luxo da década de '90 até chegue a ter um preço atrativo no mercado de usados, mesmo que a correta manutenção siga num patamar mais oneroso em comparação a um "popular" nacional ao longo de toda a vida útil estendida, e também que a intensificação de uma renovação de frota em segmentos mais modestos altere a percepção do público de que um carro possa ser visto como "colecionável" antes de completar 30 anos que é a idade na qual já é possível registrar como tal exemplares de qualquer modelo com a originalidade preservada. Seria pouco provável que veículos mais próximos de alcançar esse status corram o risco de serem sucateados mais frequentemente, mas não causaria tanta surpresa que modelos das categorias mais modestas com custos de aquisição e manutenção atrativos a motoristas de aplicativo possam sofrer mais intensamente entre a faixa de 11 a 29 anos de idade esse fenômeno mesmo que não sejam aplicadas restrições à circulação em determinadas cidades com base na idade a exemplo do que ocorre até na Índia onde veículos movidos a gasolina com mais de 15 anos ou Diesel com mais de 10 são proibidos de circular em Nova Délhi.
É previsível que não só o Uber, mas também a terceirização de frotas de empresas a cargo de locadoras, influenciem ainda mais o mercado com a ampliação da oferta dos ditos "seminovos" com menos de 10 anos, e a princípio seria de se esperar que um excesso de demanda justifique uma depreciação mais alta a ponto de tornar-se atraente a uma parte do público que atualmente busca por veículos já por volta dos 15 a 20 anos de idade que passariam a correr um risco maior de serem destinados ao sucateamento ou a usos tão severos que reduzam muito o que ainda possam oferecer de vida útil estendida. Naturalmente, a hipótese de um Ford Ka da atual geração ao chegar a 9 anos de uso ser visto da mesma forma que um Ford Fiesta dos primeiros a usarem motor Zetec Rocam é visto hoje já na faixa dos 20 anos poderia soar inicialmente exagerada, mas o mercado brasileiro tem sofrido algumas mudanças muito significativas nesse meio-tempo. Enfim, mesmo que outros fatores já exercessem alguma influência, é difícil negar que a ascensão do Uber possa ser o estopim que faltava para a renovação de frota deixar de parecer tão distante da realidade brasileira.
domingo, 13 de setembro de 2020
5 carros que ficariam ainda mais interessantes com tração traseira
Há quem considere a tração traseira como sendo mais "correta" que a tração dianteira hoje mais comum em automóveis, e não há sombra de dúvidas de que uma boa parte dessa preferência se dá pela imagem de "esportividade". Logo, não é nenhuma surpresa que apreciadores de carros com uma proposta esportiva sejam ainda mais favoráveis a essa configuração embora não sejam os únicos. Mesmo para automóveis com uma proposta mais urbana e generalista, a tração traseira poderia oferecer algumas vantagens. Entre tantos modelos de diferentes categorias, ao menos 5 ficariam de fato mais interessantes caso tivessem sido oferecidos com tração traseira:
1 - Mitsubishi Eclipse: o fato de algumas versões até a 2ª geração terem oferecido tração integral já denota que não seria tão absurdo ter aplicado a tração somente traseira, ainda que o projeto previsse ou a tração somente dianteira ou integral nas 4 rodas. Além da popularização do drift, modalidade na qual esportivos de origem japonesa costumam ser muito apreciados, outro bom pretexto para que se tivesse optado pela tração traseira seria o caso de aproveitar para instalar motores V6 e V8 em algumas versões para acirrar a competição com os pony-cars americanos;2 - New Beetle: na intenção de aproveitar a onda retrô entre o fim dos anos '90 e início dos anos 2000, a Volkswagen aproveitou para tentar se valer do carisma do Fusca numa plataforma mais moderna do Golf que então estava na 4ª geração. Mas apesar do desenho até simpático, o fato de não oferecer uma maior diferenciação técnica com relação ao Golf e ainda comprometendo o espaço interno em nome das formas a um custo maior dificultava uma aceitação do modelo junto a um público mais amplo. Talvez a tração traseira, principalmente se estivesse associada à disposição de motor traseiro como no Fusca, até pudesse ter proporcionado uma maior capacidade de incursão off-road que servisse bem a uma releitura moderna dos Baja Bugs, eventualmente saindo-se até melhor do que muitos soft-roaders modernos;
3 - Chevrolet Spin: por mais que pudesse soar incoerente num primeiro momento, não seria ruim se a Spin tivesse sido desenvolvida com tração traseira ao invés de dianteira. Para um uso mais urbano, não dá para ignorar que a tração traseira costuma proporcionar uma melhor manobrabilidade em espaços mais exíguos devido ao menor diâmetro de giro que só é possível quando não se os tem semi-eixos de transmissão à frente. O fato de alguns concorrentes que obtiveram mais sucesso em outras regiões como a África e o sudeste asiático terem tração traseira seria, naturalmente, outro bom pretexto para que fosse considerada essa possibilidade;
4 - Ford Del Rëy: o fato de não ter oferecido uma diferenciação técnica tão significativa comparado ao Corcel II certamente pesou contra as aspirações mais prestigiosas do modelo, que aplicava à plataforma ainda proveniente dos tempos da cooperação entre a Willys-Overland do Brasil e a Renault referências visuais do Ford Granada europeu. Considerando que essa mesma plataforma chegou a ser convertida de tração dianteira tanto para tração 4X4 quanto para tração somente traseira em algumas pick-ups feitas na Romênia pela Dacia, não teria sido tão difícil a Ford ter feito algo análogo no Brasil, até liberando espaço para a instalação do motor 2.3 OHC anteriormente usado no Maverick;
5 - Fiat Doblò: certamente o fato da Fiat já ter se estabelecido no Brasil priorizando a tração dianteira tornaria ainda mais improvável até especular sobre como poderia um modelo da marca ser beneficiado caso contasse com tração traseira, mas a princípio poderia ter sido uma boa solução para o Doblò. Em que pese o fato de que tal configuração dificultaria incorporar um conjunto mecânico mais parecido com o do restante da linha nacional da Fiat, a manobrabilidade em áreas urbanas ficaria favorecida, bem como a tração em aclives especialmente à medida que estivesse mais carregado. Também seria de se considerar uma eventual facilidade maior para atender a outros mercados onde a Fiat não conseguia se firmar antes da fusão com a Chrysler para formar a FCA ter proporcionado a facilidade de poder usar a marca Jeep para desovar SUVs que não vão sair de moda tão cedo, ao contrário de furgonetas utilitárias que já não tem os méritos devidamente reconhecidos por parte do público generalista...
quinta-feira, 10 de setembro de 2020
5 motivos para ter sido um tiro no pé a General Motors abandonar a configuração de motor dianteiro e tração traseira em automóveis compactos
1 - aplicações utilitárias: quando ainda era mais fácil se deparar com uma Chevy 500 em bom estado de conservação, a pick-up compacta derivada do Chevette era frequentemente apontada como a melhor para enfrentar algumas condições de rodagem principalmente quando com plena carga. E mesmo que a concentração de peso mais próxima do eixo dianteiro fosse desfavorável em terrenos de baixa aderência quando estivesse com o compartimento de carga vazio, o costume antigo de se lastrear com um saco de lona recheado de areia facilmente encontrável como acessório até a década de '90 para atender às pick-ups médias e grandes que seguem oferecendo tração traseira nas versões mais simples já atenuava essa característica. E considerando também o caso da Chevrolet Montana que, ao passar da 1ª geração para a 2ª teve a plataforma então moderna do Opel Corsa C substituída por outra mais antiga que havia servido ao Corsa B, eventualmente pudesse fazer parecer menos absurdo que se tivesse partido para um layout ainda mais "arcaico" e se incorporasse a configuração de motor dianteiro longitudinal e tração traseira ao invés do motor dianteiro transversal e tração dianteira que hoje predominam;
2 - facilidade para incorporar tração nas 4 rodas: tanto para atender a usos mais severos como nas ambulâncias quanto para fins particulares mesmo, não se pode negar que um veículo 4X4 pode ser mais conveniente em algumas condições de tráfego, além de ser um bom pretexto para se considerar também a eventual aplicação de um motor turbodiesel como os que chegaram a ser oferecidos na Montana para exportação. Diga-se de passagem, a longa cooperação que a GM teve com a Suzuki e incluía a venda de modelos da marca japonesa montados em CKD em fábricas da GM como a Colmotores na Colômbia e renomeados para Chevrolet a exemplo do Suzuki Samurai certamente facilitariam a logística para uma intercambialidade de componentes específicos de veículos 4X4 compactos e um retorno mais rápido do investimento;
5 - minimizar o impacto do fogo amigo chinês: é difícil negar que o investimento forte na China foi como chocar um ovo de serpente, apesar de ter parecido tão promissor mesmo diante da necessidade de associar-se a uma empresa local para operar naquele mercado e o baixo custo da mão de obra escrava se mostrar convidativo a fazer da China um hub de exportação para outros países de terceiro mundo. Além de carros normais como o Chevrolet Sail de 2ª geração que chegou a ser oferecido até em países como o Uruguai e a Colômbia, a joint-venture com a SAIC proporcionou a oportunidade para que se fizesse um dumping por quase toda a América Latina, África e Oriente Médio com as microvans chinesas Wuling Rongguang sendo rebatizadas como Chevrolet N300 e proporcionando um acesso fácil da SAIC tanto a mercados externos onde o peso da maior tradição da marca Chevrolet ainda seria decisivo quanto abrir terreno para outras marcas pertencentes à SAIC como a própria Wuling viessem a consolidar-se a ponto de terem passado a contar com um maior protagonismo à medida que divisões da GM como na Índia e na Indonésia passavam a ser diretamente subordinadas à joint-venture SAIC-GM ao invés de seguirem reportando-se à matriz da GM nos Estados Unidos. O crescimento da SAIC no vácuo da GM na Índia e na Indonésia, e da também chinesa Great Wall Motors não só na Índia mas também na Tailândia que é o principal hub de produção de pick-ups médias na atualidade, proporciona contornos bastante claros de que houve uma sobreposição de interesses do expansionismo chinês em detrimento da General Motors.
sábado, 22 de agosto de 2020
Caso para reflexão: Chevrolet Joy Plus e algumas inadequações da limitação por cilindrada em vigor no conceito de "carro popular" ainda aplicado no Brasil
sábado, 8 de agosto de 2020
Populares generalistas: ainda necessários nesse mar de SUVs
Salta aos olhos mais imediatamente a questão das dimensões externas, por mais que pareçam menos exageradas na comparação entre a Kombi e o Fusca diante de como os carros mais recentes vem se tornando cada vez maiores e tal diferença fique mais exacerbada ao comparar um utilitário com algum modelo generalista. O comprimento quase 40 centímetros mais longo da Kombi e a largura pouco mais de 20 centímetros maior em relação ao Fusca, associadas à posição avançada do cockpit e o formato menos arredondado são mais favoráveis à capacidade volumétrica interna, mas cobram um preço tanto na aerodinâmica quanto no diâmetro de giro mesmo que a distância entre-eixos seja idêntica, e portanto em alguns casos pode ser preferível um modelo mais compacto quando toda a aptidão de um utilitário a um serviço não vá ser explorada numa proporção maior que o observado num carro compacto. Também há de se considerar que, ao contrário de pick-ups e do Jeep Willys ou similares, a Kombi demorou a ter o justo reconhecimento de um público mais voltado a utilizações particulares e de lazer, contrastando com a obsessão de uma parte do público pelos SUVs e a aposta dos fabricantes generalistas em forçar a barra oferecendo modelos mais pretensiosos a uma clientela antes mais conservadora que em algumas situações ainda se mantenha fiel a uma marca como a Volkswagen por causa da memória afetiva com o Fusca.
Embora tratar da possibilidade de apontar um sucessor para o Fusca seja especialmente delicado, hoje ao menos no Brasil tal condição foi reservada na linha Volkswagen para o Gol e se vê refletida numa presença de mercado que se mantém para atender a alguns consumidores varejistas que se apegam mais ao nome do modelo que a especificações técnicas e a frotas de empresas que priorizam a simplicidade e a percepção de um bom valor de revenda mesmo que a concorrência esteja mais desafiadora do que em outras épocas. Desde o fato da atual geração do Gol ter consolidado a carroceria de 4 portas como única disponível, passando pela inclusão do câmbio automático como opção quando equipado com motor 1.6 e da versão 1.0 ter seguido a massificação da configuração de 3 cilindros nessa faixa de cilindrada, não se pode ignorar a existência de um público conservador que ainda viabiliza a permanência em linha de um pé-duro destinado a mercados emergentes desde antes que isso se tornasse mais habitual no Brasil, mesmo que em regiões tão diversas quanto a Ásia ou a África Meridional seja mais fácil desovar uma geração defasada de algum modelo destinado ao público generalista na Europa como opção de entrada. O importante é destacar que uma parte do público que poderia até ser facilmente empurrada em direção aos principais argumentos dos publicitários em defesa dos SUVs, como as pretensões aventureiras que podem soar convidativas tanto para um pequeno produtor rural quanto encarregados de manutenção de redes de telefonia (que ao serem cobrados por alguns consertos em sistemas de veículos maiores e mais complexos quando alegado "mau uso" podem preferir algo mais simples com menos componentes para dar problema e peças de reposição mais baratas) não vá abrir mão de populares generalistas com tanta facilidade.
Considerando modelos da Volkswagen com uma presença global maior na atualidade como o Polo e o T-Cross, é importante observar desde a distorção que se criou no Brasil alçando hatches generalistas à condição de "compacto premium" até as pretensões de sofisticação atribuídas aos SUVs mesmo com a plataforma compartilhada entre ambos. A diferença de pouco mais de 19 centímetros no comprimento e praticamente desprezíveis 9 milímetros na largura que dão ao Polo um footprint menor, e uma distância entre-eixos pouco mais de 8 centímetros maior no T-Cross influa tanto na distribuição do espaço interno quanto num diâmetro de giro pouca coisa mais desfavorável a um SUV, que acaba ironicamente sendo mais voltado a um público essencialmente urbano devido à ausência da opção por tração 4X4 que podia soar útil ao público rural. No tocante a motorizações, enquanto o Polo ainda oferece opções 1.0 e 1.6 de aspiração natural no mercado interno, paralelamente ao 1.0 TSI e ao recentemente introduzido 1.4 TSI que lançam mão do turbo, o T-Cross só dispõe no Brasil dos motores 1.0 e 1.4 TSI apesar de no exterior serem oferecidas versões de fabricação nacional com o motor 1.6 MSI aspirado que em alguns países como a Argentina e o Uruguai serem o único disponível tanto em função da manutenção mais simples devido ao uso de injeção sequencial e aspiração natural em detrimento do turbo e injeção direta quanto de não ser afetado pela incidência de impostos com base na cilindrada observada no Brasil favorecendo o 1.0 TSI além das expectativas de uma redução de consumo de combustível e emissões associada a uma maior facilidade para partida a frio ao se usar o etanol.
E se por um lado na Europa e em alguns países asiáticos os SUVs não eliminarão os hatches com tanta facilidade devido à questão do espaço ocupado sobre o leito carroçável e para estacionar, por outro vale observar a permanência dos sedans tendo fomentado o desenvolvimento do Volkswagen Virtus baseado no Polo e que hoje é produzido somente no Brasil mas já marca presença na exportação regional, sendo favorecido pela imagem de maior prestígio associada aos sedãs em comparação a um hatch da mesma plataforma em alguns países numa intensidade maior que a anteriormente observada quando o Voyage acompanhava o Gol numa maior quantidade de mercados externos. Em que pese o Virtus alinhar-se ao Polo e portanto beneficiar-se de uma imagem de modernidade reforçada pela presença do modelo que o deu origem em mercados mais desenvolvidos num contraponto ao viés emergente herdado do Gol e que não pode ser desvinculado do Voyage, ambos acabam tendo a exatamente mesma função por mais que a pretensão de uma maior sofisticação posicione o Virtus até com relativo conforto como uma opção para parcelas do público que antes buscariam por um sedan de segmento intermediário enquanto o Voyage não perde o caráter essencialmente funcional que se espera de um popular pau-pra-toda-obra e de certa forma se mantém competitivo também em função de um uso tanto particular quanto profissional que teve uma significativa expansão com a chegada da Uber ao Brasil, e o investimento para aquisição de um sedan generalista permaneça menor que o destinado a um SUV compacto.
Mesmo em meio às drásticas transformações que se observam tanto nas expectativas dos consumidores quanto nas estratégias dos fabricantes de veículos e nas campanhas publicitárias visando abrir o terreno para uma maior concentração de mercado em direção aos SUVs, fatores tão diversos quanto algum grau de conservadorismo ou um orçamento mais modesto dificultam uma eliminação de automóveis com um aspecto mais tradicional. A diferenciação técnica não muito acentuada entre um carro normal e a atual geração de SUVs do tipo crossover é de certa forma uma faca de dois gumes, tendo em vista que a falta de algum recurso mais específico já não justifique uma transição para outra configuração de carroceria a custo maior que não se reflita em vantagens práticas em alguma condição operacional. Enfim, mesmo que não sejam tão enaltecidos ou cobiçados, os populares generalistas ainda se mantém relevantes e até necessários em meio à presença cada vez maior dos SUVs.segunda-feira, 3 de agosto de 2020
5 opções que eu consideraria adaptar num Gurgel Supermini
domingo, 2 de agosto de 2020
Nissan Qashqai de 2ª geração, um modelo que segue diferentes abordagens no tocante às motorizações
Um modelo único mas com algumas variações interessantes no tocante a motorizações nas diferentes regiões onde é comercializado, o Nissan Qashqai de 2ª geração salta aos olhos por apresentar em alguns mercados tão desenvolvidos quanto Estados Unidos e Canadá quanto outros menores como o Uruguai um motor de 2.0L a gasolina com aspiração natural e injeção convencional nos pórticos de válvula como única opção, enquanto na Europa recorre a outro de 1.3L lançando mão do turbo e da injeção direta para quem queira um a gasolina enquanto as opções turbodiesel incluem tanto o já clássico motor Renault K9K de 1.5L quanto o R9N de 1.7L que é um desenvolvimento mais recente. Mas enquanto para o Canadá a configuração de tração dianteira é a única que ainda pode ser encontrada com a opção pelo câmbio manual enquanto quem prefira 4X4 precisa aceitar o câmbio automático X-Tronic CVT, na Europa a situação é diferente e a tração 4X4 além de ser oferecida somente em conjunto com o câmbio manual só pode ser especificada com o motor turbodiesel de maior cilindrada. Por outro lado, convém observar que em algumas configurações com o câmbio automatizado de dupla embreagem oferecido na Espanha um turbodiesel ainda pode ser mais barato que um similar a gasolina, contrariando aquela idéia de que seria sempre mais caro. A bem da verdade, por mais que o downsizing na Europa ocorra mais em função de incentivos fiscais que vem se mostrando um tanto irreais ao priorizar tão somente uma redução da cilindrada na expectativa de que se reflita em menor consumo de combustível e emissões, a grande força desse fenômeno se dá por políticas tributárias que penalizam desproporcionalmente um motor de cilindrada mais alta e técnicas construtivas mais simples que ofereça o mesmo desempenho na maior parte das condições operacionais e eventualmente possa até ser considerado melhor mesmo numa região de montanha onde ao menos em tese a compensação de altitude proporcionada pelo turbo pode parecer um grande trunfo num primeiro momento. Na prática, além de dispensar o filtro de material particulado que antes estava sendo um problema mais comum nos turbodiesel modernos antes de se alastrar também por essa nova geração de motores a gasolina com injeção direta, um motor maior com aspiração natural ainda tende a apresentar um desempenho melhor desde a partida ao trafegar por uma região de altitude, enquanto num motor que siga o downsizing o turbo-lag mais acentuado devido ao ar rarefeito ainda demoraria mais a chegar mais perto do que possa proporcionar. E ainda tendo em vista a questão das emissões de óxidos de nitrogênio, que num motor a gasolina a princípio podem ser atenuadas simplesmente enriquecendo a injeção para diminuir a temperatura das cargas de ar de admissão, no caso dum motor com injeção nos pórticos de válvula esse resfriamento já ocorre desde a fase de admissão propriamente dita, enquanto num motor com injeção direta teria um intervalo mais curto para ocorrer já avançando pela fase de compressão.



















































