quarta-feira, 11 de abril de 2012

A velocidade da hipocrisia...

Comprei ontem (10 de abril de 2012) um exemplar do jornal Diário Catarinense, e uma das manchetes da capa trazia como destaque a fotografia de um veículo flagrado pelo radar da Polícia Rodoviária Federal a 168km/h num trecho da BR-470 no município de Gaspar, numa velocidade 110% mais alta que o limite do trecho, de 80km/h. Na capa, em momento nenhum foi feita qualquer citação ao teor da reportagem, com o saldo de acidentes nas rodovias catarinenses durante o feriadão da "semana santa".
Não foi feita nenhuma referência especificando que tratava-se de um Porsche Cayenne, que foi um dos 206 veículos flagrados acima da velocidade máxima no mesmo trecho durante um período de duas horas do dia 7 de abril, ainda que o design imponente não deixe dúvidas que trata-se de um modelo inacessível à maior parte da população brasileira, e que acaba por despertar alguma inveja...

Entretanto, o que foi convenientemente omitido pelo jornal, bem como por agentes de polícia entrevistados para a reportagem, é que muitos veículos de fabricação nacional, incluindo diversos modelos equipados com motores 1.0, podem chegar a 160km/h, de tal forma que não faz tanto sentido ignorar que, assim como são uma parcela ínfima da frota brasileira, veículos de luxo e alto desempenho não são os únicos envolvidos em ocorrências desse tipo.

Mas ultimamente na República das Bananas, a exemplo do caso Thor e dos rachas na Paraíba com o famoso "Black Bull", parece que ter uma condição financeira muito acima da média vem sendo considerado "socialmente condenável", enquanto moleques metidos a piloto ao volante de carro(ça)s mais humildes como um Gol quadrado querendo fazer racha com qualquer um que apareça do lado e coroas na crise da meia-idade que mal conseguem sustentar um sedã 1.0 em meio a tantos impostos incham as estatísticas de acidentes nas estradas brasileiras...

2 comentários:

  1. É um risco desnecessário ficar correndo em pista que mal oferece segurança para se andar no limite imposto, com asfaltamento de qualidade meio questionável.

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    1. Tem risco que de fato não vale a pena ser corrido. E quanto à pista não oferecer segurança nem para se andar na velocidade permitida, pelo que se arrecada de imposto nesse país é uma vergonha que isso aconteça, com obras públicas sendo mal-feitas para ficar bonitas só na inauguração e depois logo servindo como plataforma de campanha para novas promessas eleitoreiras...

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