terça-feira, 22 de novembro de 2011

Considerações sobre a hipocrisia e o "caso Black Bull"

Num país de economia prejudicada por um aparelho estatal ineficiente, parasitário e partidarista, onde se pensa mais na foto para a campanha eleitoral do que em desenvolvimento econômico e social, e até mesmo um carro dito "popular" acaba trazendo algum status ao proprietário junto a alguns grupos da população, o recente circo midiático armado em torno da apreensão de alguns automóveis envolvidos em rachas na região de João Pessoa, capital da Paraíba, acabou por mostrar o quanto a hipocrisia acaba mais uma vez prevalecendo sobre o bom senso perante a opinião pública...
Com tanto drogado vagando pelas ruas tal qual um bando de zumbis praticando atos de vandalismo e expondo a população a toda ordem de violência física e psicológica, me parece inconcebível que exista quem considere uma pessoa que teve envolvimento com corridas clandestinas em via pública como sendo alguém pior que um estuprador ou um assaltante que se aproveite das brechas da legislação para atacar velhinhas na rua e que, mesmo com as autoridades "competentes" sabendo das intenções, dificilmente vão agir preventivamente por receio de se incomodar com essa farsa dos "direitos humanos"...

Muitos dos que se entusiasmaram com o resultado da recente operação "Velocidade Limitada" em que a Polícia Rodoviária Federal teve posição de destaque junto à Polícia Militar da Paraíba se impressionaram mais com a apreensão de um Chevrolet Camaro e 3 Honda Civic, modelos que no mercado brasileiro são considerados "de luxo" (ainda que em outros países estejam nivelados em segmentos mais básicos, como acontece com os hatches 1.0 nacionais), do que com a ação policial. Exatamente a jogada de marketing desejada por alguns membros das corporações policiais envolvidas para terem motivo de mostrar as fuças na Rede Globo como se fossem heróis da pátria apesar de serem motivo de chacota por terem conseguido "caçar" os veículos apenas quando estes estavam em uma oficina ou uma garagem, vexame que poderia ser evitado com o uso de motocicletas como veículo de perseguição, além de políticos interessados em tirar o foco de escândalos de corrupção que vem se tornando freqüentes e tentar iludir o povão alienado vendendo a idéia de que os ditos "ricos" também sofrem com os rigores da lei na mesma intensidade...

Alguns populares já manifestam opiniões preconceituosas com relação à condição sócio-econômica dos envolvidos, ao referir-se a eles como "playboys" apenas por terem um respaldo financeiro que permita se darem ao luxo de ter um objeto que pode-se considerar cobiçado, o que acaba desencadeando manifestações de inveja por parte de alguns que ao invés de sentirem uma frustração por não ter algo que gostariam sentem-se mal ao ver que outros possam tê-lo, o que infelizmente é uma mentalidade bastante comum. Enquanto isso, todos os dias acontecem acidentes com mortes, mas como envolvem veículos mais comuns e baratos não ganham mais do que uma nota e uma foto em preto e branco na última página do jornal impresso e aparecem por míseros 30 segundos na televisão...

Com a falta de profissionalismo na imprensa, associada à ignorância de alguns "jornalistas" mais preocupados em enfeitar a matéria, ganha destaque a questão dos veículos terem capacidade de atingir velocidades consideravelmente superiores ao limite das estradas brasileiras, mas parecem esquecer que até a Kombi consegue superar os 120km/h, velocidade máxima permitida hoje em algumas rodovias, e muitos dos carros populares apesar dos limitados motores 1.0 já chegam perto dos 170km/h com conjuntos de freios e suspensão tecnicamente inferiores (o povão muitas vezes prefere mostrar ao vizinho uma "central multimídia" ou "rodas esportivas" ao invés de priorizar itens de segurança como airbag e freios com ABS) cujas limitações muitas vezes são ignoradas por motoristas afetados por um excesso de confiança ou mesmo por exibicionismo, o que não é tão incomum num país onde "quanto custa" é visto como o aspecto mais importante. Diga-se de passagem, houve um grande desrespeito com a oficina Rev It Up, citada por alguns "jornalistas" como se fosse uma "oficina clandestina". Se realmente houvesse um interesse dos "profissionais" de imprensa envolvidos nesse jornalismo circense com relação a problemas de oficinas clandestinas, abordariam o tema do roubo de veículos que acabam tendo peças reaproveitadas por oficinas "boca-de-porco" na periferia eventualmente à custa da vida de cidadãos torturados por assassinos que atiram apenas para ver o sangue jorrar pelo buraco da bala...

Não é difícil encontrar algum idiota fazendo palhaçadas ao volante de um carro 1.0, nem sempre com o motor preparado devido às limitações financeiras que levam tal tipo de motorização a ser tão comum (convenhamos, ninguém acorda de manhã desejando um carro 1.0), e às vezes quando algum veículo muito mais caro e com desempenho consideravelmente superior para ao lado no semáforo o motorista do carro popular sai acelerando como se estivesse num "racha imaginário" (coisa de Forever Alone) enquanto o motorista do modelo mais caro não demonstra pretensões de bancar o piloto. Também não é difícil encontrar malucos se arriscando ao praticar racha com motos de baixa cilindrada, em que apesar dos investimentos no motor (ainda que proporcionalmente menores ao que seria necessário num automóvel para ter desempenho comparável) geralmente a parte de pneus, freios e suspensão é negligenciada e não recebe aperfeiçoamentos necessários para manter um nível de segurança mais adequado aos esforços de uma velocidade mais alta...
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Além do interesse em mostrar o automobilismo amador como um todo (não só os rachas de rua, que realmente são proibidos por lei) como sendo coisa de marginal, há uma perseguição injusta a quem aprecia modificações em veículos, tanto aquelas funcionais visando a melhoria de desempenho, segurança e conforto quanto o infame "xuning". Vale destacar que mesmo um carro turbinado, quando equipado com pneus de boa qualidade, uma suspensão bem ajustada e freios eficientes e corretamente dimensionados para o novo nível de exigência, mesmo em velocidades superiores é mais seguro que muita tranqueira com motor original cheia de enfeites de gosto duvidoso e com molas cortadas ou removidas apenas para parecer "socado", ou então com molas esticadas à força para manter a altura original mesmo quando os amortecedores são suprimidos devido ao custo para repor tais peças (eu já vi esse tipo de gambiarra numa favela de Porto Alegre)...
 

Ainda, muitos falsos moralistas aproveitam para posar como se nunca tivessem ultrapassado um limite de velocidade mesmo ao volante de um carro totalmente original e insistindo que os rachadores estariam sendo uma "ameaça à segurança" nas rodovias, mas parecem se esquecer que é uma prática bastante comum o excesso de velocidade tanto em vias urbanas quanto em estradas sem que isso signifique a prática do racha, não sendo portanto exclusividade dos rachadores "ameaçar a segurança", e a quase totalidade dos acidentes com vítimas fatais nas rodovias não envolve rachas ou veículos "fuçados". Também deve ser levado em conta que as falcatruas promovidas por políticos ao negociarem a aquisição de ambulâncias de transporte eletivo a preço de UTI-móvel, por exemplo, matam mais do que os rachas mas não recebem a mesma "vigilância" por parte da imprensa (e do eleitorado, que deveria ser o maior preocupado com isso)...

Antes que insistam em dizer que eu estou fazendo apologia ao racha, volto a reiterar que tal prática está proibida pela legislação brasileira em vigor.

domingo, 20 de novembro de 2011

Motocicletas: a relação entre desempenho e preço as torna favoráveis ao uso em perseguições policiais

Sinceramente, eu não sinto o menor prazer em ter que criticar a Polícia Rodoviária Federal, um dos motivos é que uma das pessoas mais íntegras que eu conheço faz parte dessa instituição e a meu ver não merece ser vista com o mesmo repúdio que alguns colegas estão merecendo e o outro é que eu como cidadão brasileiro e tendo alguns militares na família tanto pelo lado paterno quanto pelo materno ainda tenho esperança de ver o lema positivista que ornamenta a bandeira (Ordem e Progresso) sendo honrado...

Não é novidade para ninguém a incompetência da administração pública brasileira, levando a casos tão absurdos que parecem uma piada de mau gosto. Legisladores tripudiam sobre a ordem e o progresso estampados na bandeira implementando leis absurdas, promovendo um espetáculo do absurdo. Vale destacar o recente caso da apreensão de veículos que participaram de rachas na Paraíba, incluindo o famoso Honda Civic "Black Bull", em que as próprias forças policiais envolvidas agiram de forma equivocada, contrariando a lei (por mais absurda que seja) que prevê a autuação em FLAGRANTE, o que não foi o caso, apenas para aparecerem na Globo e tentar disfarçar a própria incompetência e fingir que nessa república das bananas os rigores da lei valem para todos independentemente de estarem sobre uma Honda CG 150 ou a bordo de um Chevrolet Camaro. Beleza, a lei é para todos, então quem é que vai ter culhões para passar o grampo naquele ex-deputado que encheu o rabo de vinho e, ao volante de um Passat alemão (que nem fuçado era) matou um estudante e um trabalhador que estavam em um Honda Fit contra o qual o "nobre" parlamentar colidiu a 180km/h numa rua de Curitiba??? Vale lembrar que depois dele haver renunciado para não correr o risco de um impeachment perdeu a imunidade parlamentar e o foro privilegiado.


Infelizmente parece que o brasileiro tem uma "síndrome de cachorro vira-lata", e um desejo de negar que apesar da intensa colonização européia o Brasil "moderno" tem mais a ver com a periferia da Ásia quando se fala em desenvolvimento econômico e social. O eterno "país do futuro", futuro que nunca chega devido ao comodismo. Há quem diga que pior do que está não fica, mas é difícil encontrar quem realmente esteja comprometido a fazer algo para melhorar. E uma característica de país empobrecido (apesar da riqueza em recursos naturais) pode ser observada no mercado motociclístico local...

Eu já havia mencionado antes que eu sou favorável ao emprego tático de motocicletas em ações policiais, e cabem novamente algumas considerações sobre tal aplicação.
Ainda que modelos como a Honda Hornet (na foto um exemplar pertencente à Guarda Municipal de Florianópolis), considerada nos principais mercados da Europa ocidental uma motocicleta utilitária urbana com aptidão para o tráfego rodoviário expresso, marquem presença no Brasil até com produção local, o que mais se vê nas ruas são modelos mais simples com motores de até 150cc, inclusive para uso policial. Ainda assim, outros modelos de maior porte marcam presença nas frotas de corporações como a Polícia Rodoviária Federal, que usa modelos como a Harley-Davidson Road King Police (na foto abaixo uma utilizada por um pelotão de escolta da Polícia do Exército). Alguns dirão que é uma motocicleta adequada ao patrulhamento rodoviário, mas para perseguições a alta velocidade (como para pegar rachadores) são ineficazes. Pesadonas, mais difíceis de manobrar, e com velocidade final mais restrita devido à péssima penetração aerodinâmica, são mais adequadas a um passeio descompromissado...

Não é de hoje que os departamentos policiais sofrem com limitação do repasse de verbas, fazendo com que entre outros equipamentos as viaturas sejam um tanto inadequadas e escolhidas sem observar tantos critérios técnicos, enquanto alguns cargos burocráticos garantem privilégios como o direito ao uso de viaturas melhores do que as de polícia. Por exemplo, enquanto os carros de polícia atualmente classificados como os "melhores" do Rio Grande do Sul são Ford Focus com motor 2.0L, há muitos Ford Fusion com motores entre 2.3L e 2.5L atendendo à função de "veículo de representação", numa verdadeira inversão de valores. Vale destacar que a própria Ford recentemente apresentou em algumas exposições uma versão do Focus com o motor 2.5L e alguns reforços estruturais visando a aplicação como viatura de polícia...

Devido à relação entre preço e desempenho, as motocicletas acabam apresentando uma vantagem em relação a um automóvel. Em alguns segmentos, um modelo como a Yamaha YZF-R1 consegue desempenho comparável a carros com um preço até mais de 15 vezes superior, como a Ferrari 458 Italia.

Considerando os resultados do uso de um veículo mais apto a uma perseguição do que um carro popular sobrecarregado com o peso de equipamentos de comunicação (muitas vezes redundantes ao se considerar os equipamentos portáteis usualmente carregados pelos agentes) e aquelas barras de sinalização luminosa que ainda acabam alterando o centro de gravidade (eu sempre achei uma estupidez não se usar uma sinalização luminosa de emergência embutida na base do parabrisa ou dentro das carcaças dos faróis, já que a mesma dificuldade que um xunileiro tem para abrir a carcaça de um farol para instalar angel-eyes e LEDs coloridos é a mesma que uma empresa especializada na adaptação de viaturas tem para instalar as luminárias estroboscópicas) ou um utilitário com suspensão molenga e alto centro de gravidade (no qual eventualmente a barra estabilizadora traseira ainda é suprimida) com um motor subdimensionado, seria possível até reduzir os riscos de acidentes com os policiais envolvidos na operação. Ainda que estar exposto numa motocicleta seja bastante arriscado, também pela condução desse tipo de veículo ser um desafio às leis da física, não é difícil encontrar relatos de policiais que tenham morrido ou ficado com alguma deficiência física como conseqüência de um acidente envolvendo veículos inadequados à operação em altas velocidades em pistas mais sinuosas...

Antes que algum falso moralista diga que eu faço apologia ao racha de rua, prática em desacordo com a legislação em vigor, eu reitero que não estou incentivando que ninguém o faça, por mais que eu considere uma grande inversão de valores a exposição de alguns rachadores ao circo midiático e execração pública enquanto a IMPUNIDADE PARLAMENTAR rola solta e leva milhares de cidadãos à morte nos necrotérios com placa de hospital...

sábado, 19 de novembro de 2011

Minha opinião sobre a recente apreensão de carros usados em rachas na Paraíba

Foi deflagrada ontem (18/11/2011) pela Polícia Rodoviária Federal uma operação que culminou com a apreensão de 3 Honda Civic Si (entre os quais um conhecido como "Black Bull" e que já apareceu em revistas de tuning), 1 VW Gol quadrado e 1 Chevrolet Camaro parecido com o da foto acima, que vinham sendo usados em corridas clandestinas em João Pessoa, capital da Paraíba. Basicamente um circo midiático para iludir o povão vendendo a idéia de que alguns "ricos" também acabam sofrendo os rigores da lei na República das Bananas. Entretanto, a própria legislação nesse país de 3º mundo é uma aberração, além de existirem criminosos de alta periculosidade que nunca levam um baculejo devido a absurdos como a "imunidade parlamentar" (ou IMPUNIDADE parlamentar) e desviam verbas que deveriam ser aplicadas na saúde pública, ensino básico e até em equipamentos e treinamentos para que a própria PRF tivesse condições de caçar os rachadores e fazer as autuações em flagrante como está previsto em lei, além de juízes que vendem sentenças para traficantes e outros destruidores de famílias, que desfilam de Ford Fusion V6 enquanto policiais tem que cagar sangue com uma merda de uma carroça com motor de enceradeira e suspensão mais mole que amortecedor de imitação paraguaia do Nike Shox. Isso sem falar em outros "doutores" que recorrem ao expediente da infame "carteirada", prática deplorável de um buraco onde ainda se acredita que respeito se IMPÕE ao invés de se conquistar.

No caso dos veículos apreendidos, o correto seria fazer a apreensão em flagrante, mas eu não vou entrar em detalhes da parte tática que isso é obrigação da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Militar da Paraíba. Não precisa nem fazer perseguições como aquelas dos Estados Unidos, pois nesse país de 3º mundo seriam mais para fazer algum policial despreparado que não pega nem ladrão de galinha aparecer no Plantão da Globo do que para fazer com que a lei seja cumprida, afinal do lado de cá do Equador mal existem viaturas capazes de agüentar o tranco como as barcas americanas com "police package" corretamente dimensionado para a função...

Eu sempre gostei de automóveis, e não vou ser hipócrita a ponto de dizer que os rachas de rua nunca me chamaram a atenção. Toda aquela fascinação que a molecada tem por velocidade, associada à idéia de proibição e o desejo de contestação que fica bastante exacerbado durante a adolescência são uma combinação explosiva. Eu, especificamente, sempre fui até mais interessado na parte técnica (preparação de motores, acerto de suspensão, freios, etc.) do que nos rachas, mas não sou hipócrita a ponto de negar que o fascínio pela velocidade existe, bem como por desafiar a imposição do limite da mesma...

No país inteiro faltam locais apropriados para a prática do automobilismo amador, que no interior acaba mais restrito às tediosas competições de arrancada em pistas geralmente limitadas a 402 metros sem nenhuma curva, o que acaba fomentando o submundo das corridas clandestinas em vias públicas. Pistas adequadas com estrutura de apoio para equipes de emergência são mais raras do que alguns locais fechados ao tráfego mas de fácil acesso que acabam sendo usados para manobras e "fritões" (e como não tem trânsito nem tanta ênfase em normas de segurança não é incomum presenciar o consumo de bebidas alcoólicas em alguns desses locais), enquanto não faltam campos de futebol (e às vezes até moleques jogando futebol em plena pista em ruas de periferia). E convenhamos que, com a quantidade absurda de impostos que se paga pela propriedade de um veículo automotor e por insumos como combustíveis, lubrificantes e peças de reposição, acaba sendo uma vergonha que as estradas brasileiras tenham que ser pedagiadas para ter uma manutenção decente. Se não houvesse tanta corrupção, seria possível ter até umas estradas sem limite de velocidade como as autobahnen alemãs, onde seria possível apreciar a velocidade dentro da lei, o que poderia até colaborar para uma diminuição da prática dos rachas quando se pode desfrutar apenas do prazer da velocidade sem ser considerado um bandido. Tecnologia para implantar uma estrada dessas em terras brasileiras já é dominada por empresas locais. E ao contrário do que alguns alegam, os acidentes numa autobahn não costumam acontecer numa freqüência tão alarmante não só por serem construídas com uma boa margem de segurança, como também devido à maior concentração por parte dos aspirantes a piloto ao trafegarem em velocidades mais elevadas...

Eu tenho consciência de que, pelas mesmas leis brasileiras que eu critico por outros motivos, racha é considerado crime, mas enquanto um automobilista amador for considerado um criminoso tão perigoso quanto um assaltante ou um estuprador e os corruptos continuarem soltos eu não vou negar que considero uma verdadeira inversão de prioridades esse espetáculo sensacionalista e oportunista. Também não vou negar que acontecem acidentes em rachas e eventuais mortes de inocentes, mas a corrupção que transforma hospitais públicos em verdadeiros necrotérios mata bem mais. Aproveito para repudiar um "jornalista" que citou a preparação feita no motor do Gol como sendo uma "adulteração", bem como ao "profissional" de imprensa que citou a oficina Rev It Up, uma das mais reconhecidas pelo trabalho de preparação de motores Honda, como sendo uma "oficina clandestina". Se o sujeito tivesse o mínimo de profissionalismo, não compararia uma empresa séria com essas "bocas de porco" que usam peças de procedência duvidosa...

Imagem meramente ilustrativa

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Chevrolet: 100 anos de tradição

Em 3 de novembro de 1911, o empresário William Durant, fundador da General Motors, da qual permaneceu afastado entre 1910 e 1915, uniu-se ao engenheiro e piloto suíço Louis-Joseph Chevrolet, famoso pelos bons resultados usando veículos Buick em competições, para fundar uma nova fabricante de automóveis, que acabou batizada como Chevrolet, em Flint, Michigan. O primeiro modelo da nova empresa, o Series C Classic Six, já incorporava um motor de 6 cilindros em linha que o fazia se destacar em desempenho, além de trazer um motor de arranque (inicialmente pneumático), considerado um artigo de luxo à época. Louis Chevrolet vendeu a participação acionária a Billy Durant em 1915, por conta de divergências quanto ao projeto de alguns modelos, e em 1916 os lucros já viabilizaram um retorno de Durant ao comando da GM, que passava a incorporar a Chevrolet.


O famoso logotipo, conhecido como "bow-tie" (gravata-borboleta), surgiu apenas em 1913, após Durant ter se inspirado na estampa do papel de parede do quarto de um hotel francês. Ainda há uma versão extra-oficial alegando que é uma estilização da cruz suíça, em referência à origem do piloto Louis Chevrolet.

Hoje uma empresa moderna, com modelos como o Chevy Volt seguindo a moda dos híbridos, permanece vinculada a uma identidade tradicional fortemente baseada na nobreza e distinção de clássicos como o Impala, na força e resistência de utilitários que auxiliaram na construção de alguns países, e no desempenho do Corvette que até hoje com uma técnica mais rústica faz concorrentes europeus e japoneses sofrerem...

Passou a consolidar uma posição de destaque na produção brasileira de automóveis a partir de 1968, com o Opala, conhecido na África do Sul como Ranger, basicamente a adaptação de um modelo da Opel (o Rekord C) a um conjunto mecânico de projeto americano e compartilhado com os utilitários que já marcavam presença no mercado nacional, além de modelos importados que desde 1925 eram montados a partir de kits CKD em São Caetano do Sul.
Modelos como o Monza (versão local do Opel Ascona C europeu) e o compacto Chevette também ocuparam lugar de destaque no mercado brasileiro, assim como o Opel Kadett E e o Opel Corsa, entre outros modelos de projeto europeu que usaram a marca Chevrolet, como o Vectra, que por muitos anos permaneceu como referência entre os sedãs de porte médio, apesar de ter sido estigmatizado por conta da idade do projeto do motor que usava e da técnica menos arrojada que a de rivais de origem japonesa, ainda que o desempenho e consumo de combustível não fossem tão desfavoráveis...

Hoje, com mais de 40 anos dedicados à fabricação local de automóveis, a operação brasileira da Chevrolet é de tanta importância a nível mundial que concentra a pesquisa e desenvolvimento no projeto de caminhonetes de porte médio, além de sediar uma das fábricas de motores de 4 cilindros com maior volume de produção, atendendo a diversas divisões da GM no mundo.

Por mais que hoje tenham força estereótipos associando a marca Chevrolet à imagem de "carro de velho", táxi, viatura de polícia e outras aplicações com menos glamour, como a grande quantidade de wagons adaptadas para ser usadas como ambulância ou rabecão ainda hoje facilmente encontradas em operação apesar da antigüidade, isso acaba só reforçando a imagem de qualidade e confiança que todo fabricante de automóveis deseja e poucos conseguem estabelecer de uma forma tão natural.