domingo, 1 de junho de 2014

Uma reflexão sobre os veículos pichados em vagas para deficientes

Teve grande repercussão durante o mês passado um vídeo publicado no YouTube mostrando alguns carros estacionados em vagas reservadas para deficientes físicos sem a devida credencial terem o símbolo internacional de acessibilidade pichado. O ato ocorreu no estacionamento de um shopping de Maringá-PR, e fomenta algumas reflexões que vão desde a ignorância com relação às vagas reservadas para deficientes físicos até o desrespeito à propriedade privada. Eu tenho alguns familiares com deficiência física, mas nós não apoiamos essa imbecilidade mostrada no vídeo.



O pichador até alegou que a tinta usada na "brincadeira" sai facilmente com água, tentando minimizar os riscos de ser acionado judicialmente por dano ao patrimônio, mas ainda que o material utilizado não provocasse um dano permanente aos veículos isso não dá a ninguém o direito de agir como um delinqüente juvenil em nome de uma suposta "consciência social". Tratar o uso indevido das vagas reservadas para deficientes físicos como um pretexto para fazer palhaçada não é engraçado, e dano ao patrimônio não é uma forma válida de protesto. Infelizmente, num país que caminha para o caos e onde o desrespeito à propriedade privada vem sendo até incentivado e fomentado por ações governamentais, há quem tente relativizar o erro apresentado no vídeo como se fosse algo "merecido".

O estacionamento irregular em vagas para deficientes já é passível de multa e remoção do veículo, e qualquer ação que vá além disso já não tem respaldo jurídico, principalmente quando não é tomada por uma autoridade de trânsito. Se o caso daquele moleque acorrentado a um poste ao ser flagrado roubando motivou reações de indignação por parte de "intelectuais", "artistas" e políticos, que se manifestaram contra o fato de alguns cidadãos terem feito justiça com as próprias mãos, o mesmo deveria ocorrer com relação a quem se julgue no direito de usurpar a função de entes públicos com o intuito de depredar patrimônio alheio sob o falso pretexto de "fazer justiça".

Ao que tudo indica, o ato contou com a anuência prévia da administração do shopping, o que não me parece uma decisão muito acertada. A reação dos proprietários dos veículos, revoltados com o ato de vandalismo, mostra que não serviu para de fato conscientizar sobre o uso indevido das vagas, e acaba gerando uma repercussão mais negativa do que potencialmente positiva. Por mais paradoxo que seja, embora os motoristas estivessem errados em estacionar naqueles locais, ainda poderiam acionar judicialmente o shopping pelo dano causado nas dependências do estabelecimento por omissão da equipe de segurança. Quanto ao pichador, se tentasse fazer essa "graça" em algum espaço público, poderia no mínimo levar uma bela duma surra da polícia...

9 comentários:

  1. Tem um vizinho meu que é capitão da PM e eu já vi ele pegando um piá pichando em flagrante. Não adianta ser dimenor nem nada, a polícia militar do Paraná não perdoa. Esse abobado que pichou os carros no Catuaí teve sorte.

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  2. Sou cadeirante mas concordo com você, tem formas melhores de chamar a atenção para a acessibilidade que fazer uma pichação. Viu um carro estacionado em vaga de deficiente sem o cartão de acesso e realmente quer fazer alguma coisa pelos deficientes? Chama a segurança do estabelecimento e solicita que tomem providências, e se não fizerem nada chama as autoridades responsáveis pela fiscalização de trânsito que a multa e o guincho são a única coisa que consegue conscientizar alguns. Todo o resto é sensacionalismo.

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  3. Eses flaites no tienen verguenza. Rayar no es un arte.

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  4. As pessoas tem que ter respeito, tanto pelas vagas quanto pelo carro dos outros. Esse piá se passou. Mesmo que a tinta saindo com água não caracterize dano, ele não tinha o direito de sujar o carro dos outros.

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  5. kkkkkk o cara do corolla ficou puto dms com o pixador imagina um encontro dos 2 quanta porrada ia rolar

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    1. Podiam botar eles num octógono mesmo, ia ser engraçado.

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  6. Me enoja el graffiti, deberian solo remolcar el vehiculo pero a nadie les asegura un derecho de pintar con spray al auto de otra persona. Nada mas que asqueroso.

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  7. Haveria a mesma censura se o jovem que aparece no vídeo não fosse afrodescendente? Já vi muito filhinho de papai fazendo pixo e sempre tem quem se disponha a passar a mão na cabeça. É chocante ver que a justiça no Brasil é racista, mas isso é um reflexo de um povo que defende e justifica a agressão e relativiza o direito da integridade física para quem não aceita o papel de cordeirinho.

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    1. A justiça é racista mesmo, mas atualmente vem adotando uma "discriminação reversa". Censurar o direito de crítica a uma atitude, usando como pretexto a questão racial, é uma vergonha. Mesmo assim, prefiro não ser um cordeirinho da esquerda-caviar e exercer o meu direito de crítica.

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