quarta-feira, 27 de julho de 2011

Diesel: talvez o maior tabu do mercado automotivo brasileiro

Ainda que as indústrias automotivas instaladas no Brasil produzam veículos movidos a diesel que não poderiam ser comercializados no mercado interno por não terem uma capacidade de carga igual ou superior a uma tonelada (ou 9 passageiros e o condutor) nem serem 4X4 com caixa de transferência de dupla velocidade, por conta de uma restrição jurídica absurda, obsoleta e única no mundo o consumidor brasileiro fica mais afastado da evolução técnica que beneficiou significativamente os motores de ignição por compressão (ciclo Diesel), enquanto o etanol e o gás "natural" são enaltecidos como se fossem as melhores alternativas para atender a uma renovação da matriz energética. Ao considerar que um motor do ciclo Otto, de ignição por faísca, como os que são adaptados para rodar com combustíveis gasosos (que realmente necessitam de uma assistência para a ignição) e etanol, apresentam uma eficiência termodinâmica menor que um equivalente do ciclo Diesel, já se tem uma situação contraditória ao execrar a ignição por compressão. Um motor mais eficiente se torna um ponto coerente à proposta de um veículo "verde". No caso específico do Diesel, o próprio responsável por esse tipo de motor, Dr. Rudolf Diesel, já previa o uso de combustíveis vegetais como óleo de amendoim, usado no primeiro protótipo funcional, seguro e economicamente viável de seus motores de ignição por compressão, e até o hoje tão aclamado etanol. Enfatizava as possibilidades de fortalecer o desenvolvimento econômico em comunidades agrícolas, ao possibilitar que algum maquinário usado para auxiliar na lida do campo (como tratores e colheitadeiras) pudesse usar combustível produzido localmente, reduzindo gastos com o transporte de tal insumo. É a mesma lógica aplicada hoje em projetos de eletrificação rural em que a Embrapa presta consultoria a agricultores de comunidades ribeirinhas da Amazônia na produção de dendê visando o uso do óleo para abastecer geradores de eletricidade.

Ainda persiste o mito de que motores Diesel poluem mais que um similar a gasolina, principalmente por conta do material particulado (fuligem, responsável pela famigerada "fumaça preta"), problema mais relacionado ao excesso de combustível injetado e, consequentemente, queimado de forma incompleta. Contribui para essa imagem negativa o desleixo na manutenção de uma parte considerável da frota brasileira de caminhões e ônibus, que ainda apresenta uma idade média elevada, assim como alguns "agroboys" que intencionalmente abrem mais a bomba apenas para fazer fumaça como se fosse "bonito". Hoje com a ampliação do uso de sistemas eletrônicos de gerenciamento fica mais fácil a correção em tempo real de algum problema de injeção excessiva, reduzindo consideravelmente a emissão de particulados. Fora isso, um motor do ciclo Otto vai emitir uma quantidade maior de gases nocivos resultantes do processo de combustão.

Levando ainda em conta a dificuldade no armazenamento e manejo de combustíveis gasosos, e a maior probabilidade de incêndios e explosões ao se usar etanol, o biodiesel e óleos vegetais brutos passam a ser uma alternativa ainda mais interessante, e não requerem tantas adaptações no motor para suportar alguma característica físico-química do combustível alternativo como no caso do etanol em relação à corrosibilidade e menor lubricidade em relação à gasolina ou alterações em outras partes do veículo para acomodar reservatórios pesados e volumosos como os cilindros e válvulas requeridos para armazenar o gás "natural" que, além de ocupar espaço útil no habitáculo ou no compartimento de bagagens, sobrecarregam a estrutura e elementos dinâmicos como suspensão e freios. OK, alguns irão tentar argumentar que os motores do ciclo Diesel costumam ser mais pesados que similares a gasolina, álcool ou gás, e desenvolvem menor potência, mas vale sempre lembrar que o destaque num Diesel é o torque, sobretudo a rotações mais baixas. Logo, a resposta ao acelerador, fundamental para garantir a segurança em ultrapassagens e retomadas de velocidade em trechos rodoviários, é preservada.

Uma característica constantemente associada ao consumidor brasileiro e que acaba levando os fabricantes a adotarem relações de marcha mais curtas em veículos destinados ao mercado local é a valorização de uma arrancada mais vigorosa, e a falta de interesse em "caçar marcha", fazendo com que o condutor prefira "encher o pé" no momento em que um francês ou um alemão aplica uma marcha inferior para aproveitar um momento de torque mais baixo sem ter de elevar o giro do motor, como por exemplo num aclive. Assim, o maior torque de um motor Diesel e a disponibilidade a um regime de rotações mais baixo é apreciável.

Além do custo de aquisição, realmente desfavorável, ainda existe uma alegação de que o custo de manutenção de um Diesel em comparação com um similar do ciclo Otto é consideravelmente maior. Entretanto, a já citada popularização da injeção eletrônica acaba fazendo com que fique mais próximo dos procedimentos rotineiros efetuados num motor a gasolina, etanol ou gás. Vale destacar que os intervalos para procedimentos que vão desde uma troca de óleo até retíficas são mais longos, e pela ausência um sistema de ignição elétrico não há velas, cabos, cachimbos e bobinas para desgastarem e exigirem substituição. E componentes de ignição costumam ser mais sensíveis ao excesso de umidade e sujeiras, fazendo com que a confiabilidade fique comprometida em condições de uso severo.

Apesar das desconfianças que os cercam, motivadas por desconhecimento, motores Diesel são uma excelente opção para o mercado brasileiro.

16 comentários:

  1. Nem todo vacilão que anda com a bomba aberta é do interior, mas ultimamente anda cheio de cowboy de apartamento metido a fazer graça com caminhonete em estacionamento de shopping. Tem até uns brasileiros mesmo que ridicularizam e humilham o caipira nativo mas acham bonito sair soltando fumaça igual maria-fumaça a lenha por causa daqueles rednecks americanos que andam fuçando caminhonete a diesel e tirando tudo quanto é filtro de escapamento e o EGR. No caso do EGR até dá uma redução na potência mas pelo menos fica mesmo mais econômico e queima melhor algum particulado que tenha escapado.

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  2. Fazia tempo que eu não passava por aqui, mas vejo que o interesse pelo motor a diesel continua forte. Eu digo por experiência própria por já ter guiado a uns anos atrás um Chevrolet Barina a diesel de um tio meu que mora na Síria. Era uma versão de exportação do Corsa sedan, então dá de comparar com o meu Corsa 1.0 originalmente a álcool mas que hoje roda mais no gás. A diferença já era sensível antes de fazer a conversão, mas depois além de perder um pouco da força no gás ainda tem que arrastar o peso extra do kit gás. Na prática o diesel agora está até mais caro que o gás mas ainda assim eu se pudesse ter escolhido na época que comprei o Corsa teria preferido pagar mais caro para levar um motor a diesel.

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  3. É uma vergonha essa proibição do diesel para carro pequeno. Um "doutor" que tenha bala na agulha vai poder comprar um jipão de luxo para a madame dele desfilar no estacionamento do shopping mas quem tem um carro pequeno e por falta de opção realmente chega a usar em ambiente fora-de-estrada não pode ter o "privilégio" de usar um motor a diesel.

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  4. Sílvio: é bem por esse lado mesmo, o que tem de moleque que nunca plantou hortelã num vaso na sacada do apartamento mas já quer tirar onda de fazendeiro com aquelas fivelas de cinto do tamanho de uma frigideira, umas botas que só servem para enfeitar o pé, aquelas calças apertadas e uma caminhonete 4x4 com rodas esportivas e pneus de perfil baixo não é brincadeira.

    Omar: realmente o investimento num motor mais eficiente e resistente vale a pena.

    Alfredo: não é uma nem duas vezes que se vê essa grave distorção. Dirigindo por estradas rurais sem pavimentação em algumas localidades eu já cheguei a ver mais carros 1.0 que outros modelos.

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  5. Proibição totalmente sem sentido essa, deveriam liberar logo carro pequeno a diesel. Isso poderia até servir de incentivo para diminuir o problema do óleo de cozinha velho jogado sem critério no esgoto doméstico.

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  6. Com certeza, uma liberação do uso do diesel poderia incentivar uma cultura mais favorável ao biodiesel ou mesmo do uso de óleos vegetais brutos como combustível.

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  7. esse nosso governo é uma b......... temos varias alternativas para que , nós ,Brasileiros sejamos beneficiados: 1)gás natural, que só tem na região sul e sudeste e em certos lugares, quandoeriamos estar com uma tubulação vindo da venezuela e passando por todo Brasil até o Uruguai que tambem tem interesse;
    2) a nossa gasolina que se diz por ai que o brasil é alto sficiente, uma pinóia, se a Petrobras, cobra para as distribuidoras o mesmo preço que o EEUA vende aos americanos , e quando navenezuela , até os caminhões são movidos a gasolna, que lá custa para brasileiro que vá lá a passeio R$0,18 (É ISSO MESO DEZOITO CENTAVOS DEREAL) enqanto aqui pagamos só de imposto mais de 50% , e
    3) liberar os motores a diesel, que hoje, "não existe essa conversa viada de que são poluentes".
    4) já que dizem que o alcool é mnos poluentes, então que tiem todos os impotos para que assim todos passemos a usa-lo, mais nada, até o alcool esta subindo cada vez mais e em plena safra.
    Estão cada vez mais ricos e quando um remediado compra o seu primeiro carinho veio, vem um besta em publico falndo merda, como aquele cidadão lá do sul.
    só que nossos governates não estão nem ai pra brasileiros, só vem a nós o teu reino nas campanhs politicas.
    Precisamos começar a criar campanhas campanhas contra esses absurdos.

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  8. Gás não é lá uma solução tão adequada ao uso automotivo como o (bio)diesel, por conta do manejo ser mais complicado e requerer uma infra-estrutura diferenciada. E não precisa nem importar da Venezuela, em Manaus usam gás extraído em Coari. Mas uma alternativa poderia ser o biometano proveniente de aterros sanitários e estações de tratamento de esgoto. E o álcool até pode ser menos poluente, mas enquanto não for levada a sério a segurança energética durante as entressafras vai ser essa palhaçada que se vê agora. Ninguém do povão mais quer comprar um carro que não seja flex, mas chega na hora da "liberdade" não consegue aproveitar a vantagem financeira alegada com o uso do álcool.

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  9. O ruim é que sempre tem uns caminhões que parece movido a lenha de tanta fumaça e não fazem nada para controlar. Aff é horrível aquela coisa fedorenta grudando no cabelo^^

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  10. Pois é, Carolina, se realmente se não for devidamente fiscalizado com uma inspeção veicular séria ao invés de uma simples operação caça-níqueis, pode-se reduzir o problema dos caminhões "turbolenha". O próprio biodiesel já auxilia consideravelmente na redução do índice de particulados.

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  11. semana passada me mostraram um vidio de uns guris americanos fasendo bobagem com uma camionete a dizel soltando fumaça numa mulher e axando graça da babaquisse aff desse jeito não tem chanse de não axar ruin uma camionete a dizel..

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  12. Sempre tem um inútil para desmoralizar quem leva os motores a diesel a sério, abrindo mais a bomba achando que isso já vai ser suficiente para ganhar potência, ou então uns que acham bonito soltar fumaça só para mostrar que tem motor a diesel. O pior é que acabam gastando diesel à toa.

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  13. Rí muito com o que foi escrito aqui. Não é a Petrobras que rege o governo. É exatamente o contrário.
    A Petrobrás só paga as contas do governo gasta e mais nada.

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  14. Anônimo, lê de novo para ver se entende. Dessa vez eu nem citei a Petrossauro...

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  15. Já comentei tanto isso em outros blogs pelo Brasil a fora que não vou nem falar nada dessa vez. Só o que tenho a dizer é que o povo brasileiro é muito fácil de ser manipulado, infelizmente...
    Empresas grandes inventam mitos ( claro, para vender produtos de menor qualidade e mais caro que no exterior ), pagam para esses absurdos serem publicados como se fosse verdade em grandes emissoras de TV e essas mentiras acabam virando lei. É igual a história do SPAM. empresas pequenas enviam SPAM. Empresas grandes dizem por um lado: vamos combater o spam e por outro, lotam nossa caixa de e-mail com o que chamam de " e-mail marketing ". Concluindo: Quem já teve oportunidade de ir ao exterior e conhecer, dirigir ou ver pelo menos um gol, celta, uno,punto,focus a Diesel sabe do que estou falando. Quem não teve oportunidade ainda, fica a dica: vocês não sabem o que estão perdendo em ficar defendendo carros Flex que são tão bons que só o Brasil quer e falando mal dos carros à Diesel que são tão ruins que todo o resto do mundo quer... E aí? todos eles estão errados e só o Brasil está certo? seria no mínimo estranho, não?

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  16. Tem que liberar logo de uma vez o diesel em carro normal. Mercado para carro pequeno a diesel não ia faltar, e alternativa de combustível já não ia depender mais só da Petrobras.

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