Um daqueles projetos pouco convencionais que só podia ter sido idealizado pelo Anísio Campos, o Engerauto Toppazzio era um cupê baseado na boa e velha Ford Pampa. Apesar da plataforma modesta, se destacava pelo desenho arrojado para os padrões do mercado brasileiro nos anos 80.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Uma reflexão sobre a recente proposta de "renovação de frota"
Além de carros serem uma gorda "vaca leiteira" devido ao volume de impostos arrecadado não apenas nas vendas quando novos mas também ao longo do tempo com taxas, licenciamento e o IPVA, este por sua vez atrelado a um valor venal atribuído ao veículo e que acompanha a depreciação média no mercado de usados, não seria de se duvidar que um jogo de interesses com os principais sindicatos de metalúrgicos figure como um dos principais motivos por trás do repentino fortalecimento de articulações políticas visando uma "renovação de frota" nesse momento de crise institucional pelo qual passa o país. Tentar desviar o foco dos escândalos de corrupção e do sucateamento da infra-estrutura do país comprando a lealdade de uma massa de manobra, iludindo uma parte mais humilde e influenciável da população e tentando desesperadamente melhorar a imagem do governo junto a investidores parecem ser os principais pilares do programa, que no entanto vai se revelando muito mal-formulado, e insustentável desde o princípio.
Para muitos trabalhadores autônomos que dependem dos carros até para o próprio exercício profissional, o custo da substituição por um 0km não seria rebatido tão rapidamente por uma alegada diminuição nas despesas com a manutenção e operação do veículo novo, e assim o impacto sobre o orçamento familiar viria a ser devastador. Quem em sã consciência tiraria um pão da boca do filho apenas para agradar a supostos "ecologistas" que ignoram o maior passivo ambiental da produção de um automóvel 0km diante da correta manutenção (ou mesmo eventuais retrofits que possam contribuir para uma "performance ambiental" mais favorável) de um modelo mais antigo e jogar dinheiro fora nos ralos da corrupção com um IPVA mais caro e que na prática não reverte em nenhum benefício para o cidadão? Quem seria imbecil o bastante para acreditar que uma parcela mais empobrecida da população que se vê empurrada para os carros "velhos" por necessidade daria conta de fazer a transição para o mercado de veículos novos sem cair numa bola de neve de endividamento? Na melhor das hipóteses, muitos acabariam migrando para as motocicletas...
As motocicletas acabam por ser convidativas a uma reflexão mais profunda em torno de algumas pautas defendidas pelos simpatizantes da "renovação de frota". Analisando o aspecto ambiental, não podemos esquecer que a quantidade de insumos requeridos para a produção de uma motocicleta popular e peças de reposição que venham a ser usadas ao longo da vida útil operacional vai acabar sendo menor em comparação a um carro, bem como o consumo de combustível mais contido, e também é relevante destacar que a maior presença da injeção eletrônica e do catalisador no segmento motociclístico derruba alegações de que uma moto seria proporcionalmente tão poluente quanto um carro "velho". Já no tocante à segurança, o mais provável é que o tiro saia pela culatra, combinando fatores como a inexperiência de muitos que viriam a se tornar motociclistas novatos e os perigos inerentes às motocicletas. Também seria incoerente ignorar que as capacidades mais modestas de carga e passageiros acabariam por inviabilizar a troca por uma moto, do mesmo modo que ocorre até ao considerarmos a substituição apenas entre automóveis. Não adianta querer que uma alternativa idêntica sirva da mesma forma a consumidores com perfis diferentes.
E mesmo com os custos de aquisição e manutenção pesando favoravelmente às motocicletas, e por extensão a triciclos, algumas circunstâncias fazem com que sejam encarados com ceticismo como uma alternativa para a "renovação de frota". Restrições ao transporte de crianças menores de 7 anos na garupa duma moto até são justificáveis, visto que mal alcançariam a pedaleira e teriam dificuldade para segurar-se no condutor ou em alças, mas a estupidez burocrática cria entraves até para que sejam levadas num side-car mesmo dispondo de cinto de segurança e sem esquecer do capacete. Se tal medida fosse minimamente coerente, também deveria ser aplicada a carros conversíveis trafegando com a capota aberta. Já a situação dos triciclos tem outras peculiaridades que dificultam a aceitação junto ao público em geral, como a cobrança do DPVAT no mesmo valor aplicado sobre as motocicletas apesar de terem uma propensão menor de se envolver em acidentes em comparação a estas, e o fato de ser exigida habilitação para condução de motocicletas sem fazer distinção entre capacidades de carga e cilindrada, mesmo que venham a se aproximar mais de um automóvel convencional de 4 rodas. A estabilidade , por si só, já seria um pretexto suficiente para reforçar a viabilidade técnica dos triciclos, que no Brasil ainda tem uma participação mais concentrada no mercado de veículos comerciais leves.
Outro ponto que pesa contra a tão falada "renovação de frota" é o fato de muitos veículos de gerações anteriores terem dimensões mais compactas sem sacrificar tanto o espaço interno, como é o caso da antiga Asia Motors Towner. Em que pese a dificuldade crescente em encontrar peças originais para esse modelo, ainda tem uma concepção que torna fácil a aplicação de upgrades e adaptações com peças de carros (e até mesmo de motos) mais comuns no país, com chassi separado da carroceria, motor longitudinal e tração traseira. A facilidade para manobrar em espaços mais confinados favorece a agilidade em ambiente urbano, e o tamanho contido também contribui para uma maior fluidez no trânsito ao ocupar menos espaço sobre o leito carroçável das ruas, além de facilitar o estacionamento em vagas mais apertadas e por extensão diminuir o consumo de gasolina não apenas por permitir que sejam feitas menos manobras mas também pelo menor tempo perdido rodando à procura de uma vaga. Há ainda outros modelos numa situação semelhante, em que a praticidade os mantém ainda interessantes mesmo diante de uma suposta dificuldade para manutenção, incluindo entre os exemplos o carismático Renault Twingo de 1ª geração. Ainda hoje eu lembro de um comentário "politicamente-incorreto" feito há quase 10 anos por um então colega de escola, cujo pai era proprietário de um Twingo e sempre enaltecia a combinação de um espaço interno maior do que a aparência do modelo pudesse sugerir e a facilidade em encontrar vagas para estacionar no centro de Florianópolis.
Enfim, o momento não é o mais propício para que se tente varrer para baixo do tapete da noite para o dia a atual situação de uma parte considerável da frota nacional, e as condições que vem sendo apontadas pelo governo para a condução do processo de "renovação de frota" se mostram totalmente alheias à realidade econômica e social do país. Seria muito mais benéfico para todos, exceto os corruptos de plantão, que a incompetência administrativa hoje instalada no poder permanecesse mais afastada da economia. Ao invés de propor programas mirabolantes e insustentáveis, cujo custo acabaria por atingir toda a população e corroer ainda mais o poder de compra do trabalhador, o melhor e mais eficiente incentivo à modernização da frota passaria por uma redução na carga tributária incidente sobre veículos 0km, acompanhada de uma melhoria na conservação das vias públicas e na qualidade dos combustíveis, lubrificantes e outros insumos, e gradualmente o mercado se encaminharia de acordo com as reais necessidades e disponibilidade de recursos dos consumidores para irem deixando de lado os "sucatões"...
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
Foton Midi
Não é novidade que pequenos furgões são o primeiro passo para os fabricantes chineses irem ganhando espaço nos mercados da América Latina, mas o Foton Midi foge um pouco às configurações mais comuns dos utilitários chineses. Embora use componentes mecânicos copiados de algum fabricante japonês, no caso a Mitsubishi, e o desenho mesclando elementos de modelos tão variados quanto o Fiat Doblò e o Toyota Probox, tem motor transversal, tração dianteira e estrutura monobloco, ao contrário de tantos furgões chineses que são meras cópias da Suzuki Carry e recorrem a motor longitudinal com tração traseira e chassi tipo escada. O exemplar das fotos está emplacado no Uruguai, e apareceu recentemente em Florianópolis.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
Ford F-350 argentina transformada em motorhome
Que o mercado automobilístico brasileiro é defasado até mesmo diante de outros mercados regionais já se sabe há bastante tempo, e um dos exemplos foi a linha de caminhonetes full-size Ford Série F, que na Argentina contou com mais atualizações e até algumas gerações que nunca chegaram a ser comercializadas oficialmente no Brasil enquanto se insistia em manter a 5ª geração em linha com um discreto facelift. Uma das gerações que não veio foi a 6ª, embora tenha sido produzida na Argentina como foi o caso desse exemplar, já com a frente introduzida no mercado americano em '78. O exemplar das fotos, mais especificamente, foi transformado em motorhome, perfeito para os argentinos que gostam de veranear no litoral brasileiro.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Motores em linha ou em V, qual a melhor opção?
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| Motor Ford de 6 cilindros em linha com válvulas laterais |
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| Motor Ford Flathead V8, com válvulas laterais e fluxo simples, mas o escape é redirecionado através do bloco para sair pelas laterais como num motor de fluxo cruzado |
Em outro exemplo, o Jeep Wrangler, gerações antigas usavam motor de 6 cilindros em linha enquanto a atual recorre a um V6 que, devido ao uso de comandos de válvulas no cabeçote, acaba tendo mais peças móveis (notadamente o dobro de eixos de comando de válvulas e mais polias) em comparação a um similar em linha. Cabe salientar que o motor antigo até hoje é cultuado e tido por alguns como "indestrutível" e enaltecido pela relativa simplicidade, mas o V6 por ter o peso deslocado para baixo, e também ligeiramente para trás devido à posição longitudinal, acaba por ter reflexos favoráveis à estabilidade e até desejáveis num veículo cujo centro de gravidade tende a ser naturalmente mais alto.
Em caminhões, a posição do eixo dianteiro e o tipo de cabine também influem na escolha do motor mais adequado a uma correta distribuição da carga entre os eixos. Com uma cabine recuada, ou "bicuda", geralmente é mais difícil fazer uma distribuição de carga de modo a explorar satisfatoriamente o limite do peso bruto total de 6 toneladas sobre o eixo dianteiro, então mesmo o peso extra de um motor em linha não se mostra tão problemático quanto viria a ser num modelo de cabine avançada, ou "cara chata". Mesmo assim, no mercado brasileiro a Mercedes-Benz não abre mão do bom e velho motor OM-457 LA de 6 cilindros em linha. Até o Actros passou a usar esse motor ao invés do V6 OM-501 LA importado, com o objetivo de facilitar o financiamento através do FINAME devido ao índice de nacionalização de componentes.
Outro ponto que fomenta discussões é quanto à refrigeração: num motor em V, normalmente o fluxo frio da admissão passa pelo "vale" enquanto os gases quentes de escape saem pelas laterais do bloco, e assim o compartimento do motor acaba ficando muito abafado. Poucos motores em V tem a admissão pelas laterais e o escape pelo centro, de modo a operar com as duas laterais frias. O fluxo invertido também evita que as longarinas e outros componentes do chassi possam ser danificados pela irradiação do calor. Enquanto isso, um motor em linha sempre vai operar com ao menos uma lateral mais fria, não importando se o fluxo é cruzado (admissão por um lado e escape pelo outro) ou simples (admissão por cima e escape por baixo no mesmo lado).
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| Motor Volkswagen EA827, o popular "AP", com cabeçote de fluxo simples |
Nada impede, porém, que um motor em V com ângulo estreito entre as bancadas de cilindro possa conciliar as vantagens de um em linha enquanto ainda pode manter o peso recuado em relação ao eixo dianteiro quando disposto longitudinalmente. É o caso a maioria dos motores V6 do grupo Volkswagen, também conhecidos pela nomenclatura VR6 em referência à semelhança visual com um motor em linha ("reihe", em alemão). Os ângulos de 10,5° a 15° entre as bancadas de acordo com as versões, permitem até mesmo o uso de um único cabeçote ao invés de 2 como é usual nos demais motores em V, e assim a quantidade de peças móveis fica menor, diminuindo a inércia e os atritos internos além de manter o custo de produção mais favorável em comparação a um motor com ângulo maior entre as bancadas. E com 7 mancais de virabrequim ao invés de apenas 4, resiste melhor também a fatores de carga mais altos como os encontrados nos utilitários-esportivos Volkswagen Touareg e Porsche Cayenne.
Além da disposição dos cilindros, a quantidade deles também exerce uma influência na escolha pelo motor mais adequado para cada operação. Um caso particularmente intrigante é o do Isuzu Trooper II, que chegou a ser oferecido com um motor a gasolina de 4 cilindros em linha e 2.6L e um V6 de 2.8L como opção. Apesar da maior cilindrada e mais pulsos por revolução, o V6 não parece ser tão vantajoso, tendo em vista que os pulsos acabam por ter menos intensidade devido ao menor volume individual de cada cilindro e mais perdas por bombeamento, além da maior quantidade de atritos internos. A mesma situação era vista no Mazda MX-3, que dispunha de um motor de 4 cilindros e 1.6L nas versões de entrada e um V6 de 1.8L no top de linha.
Outro exemplo digno de menção é o Dodge Stratus, que foi vendido no Brasil como Chrysler Stratus, equipado com motor de 4 cilindros e 2.0L com opção por um V6 de 2.5L, sendo este último o único oferecido na versão conversível. Se não fosse pelo fator ostentação, no qual a quantidade de cilindros é percebida como superior numa comparação direta com outros motores na mesma faixa de cilindrada, o motor de 4 cilindros e 2.5L usado na versão mais simples da Dodge Dakota já teria caído como uma luva.
Peculiaridades regionais também influenciam na escolha do motor, como aconteceu nas versões argentinas e brasileiras das caminhonetes Chevrolet e GMC da série GMT400, como a Chevrolet Silverado e o GMC 6-150. Enquanto os equivalentes norte-americanos e venezuelanos já contavam com motores de 6 a 8 cilindros sempre em V com cilindradas entre 4.3L e 8.1L, na Argentina e no Brasil predominavam motores de 6 cilindros em linha partindo do já antigo "Stovebolt Six" de 4.1L a gasolina para o MWM Sprint 6.07TC turbodiesel de 4.2L, além do Maxion S4 Diesel aspirado de 4 cilindros e 4.0L que teve aplicação mais limitada. Também salta aos olhos o fato do MWM ter sido o único motor com comando de válvulas no cabeçote (OHC) e mais de duas válvulas por cilindro (mais especificamente 3) a ser usado oficialmente na série GMT400.
Enfim, definir qual seria a melhor opção entre um motor em linha e um em V não é exatamente tão simples quanto uma receita de bolo, e não raro fatores subjetivos e preferências pessoais acabam sendo levados em consideração. É natural que a mística em torno do V8 americano exerça um grande fascínio junto a usuários particulares mais interessados numa aplicação recreacional, um motor em linha com 6 ou mesmo 4 cilindros já pode ser até melhor para usar a trabalho.
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
A outra Amazonas
Embora a marca seja mais associada ao modelo produzido entre 1976 e 1989 com motor Volkswagen de 4 cilindros contrapostos nas versões 1300 e 1600 com opções a álcool ou gasolina, houve uma outra moto comercializada como Amazonas.
A AME-Amazonas Motos Especiais C1 foi produzida entre 2007 e 2011, usando um modesto motor monocilíndrico Loncin de 250cc movido a gasolina, equipado com carburador e importado da China. Era também uma custom, mas com desenho um pouco mais influenciado por pretensões um tanto esportivas e mais ao gosto asiático. Chegou a se especular o lançamento de uma versão "flex" movida tanto a gasolina quanto etanol, inclusive com a apresentação de um protótipo equipado com injeção eletrônica Delphi e cilindrada ampliada para 300cc.
O sistema de freios, apesar de usar um tambor atrás, tinha 2 discos dianteiros, que contavam com o sistema de ABS mecânico muito popular em motos chinesas.
A AME-Amazonas Motos Especiais C1 foi produzida entre 2007 e 2011, usando um modesto motor monocilíndrico Loncin de 250cc movido a gasolina, equipado com carburador e importado da China. Era também uma custom, mas com desenho um pouco mais influenciado por pretensões um tanto esportivas e mais ao gosto asiático. Chegou a se especular o lançamento de uma versão "flex" movida tanto a gasolina quanto etanol, inclusive com a apresentação de um protótipo equipado com injeção eletrônica Delphi e cilindrada ampliada para 300cc.
O sistema de freios, apesar de usar um tambor atrás, tinha 2 discos dianteiros, que contavam com o sistema de ABS mecânico muito popular em motos chinesas.
domingo, 22 de novembro de 2015
É possível inverter o sentido de giro de um motor?
Um questionamento que às vezes aparece é sobre a viabilidade de inverter o sentido de giro de um motor. É um artifício relativamente comum em algumas aplicações especiais, mais especificamente em grandes embarcações equipadas com motores Diesel 2-tempos, mas não é qualquer motor que pode recorrer ao mesmo sem exigir modificações complexas.
No caso de um motor 2-tempos, tanto Diesel (não só aqueles grandes motores náuticos e alguns estacionários/industriais mas também alguns de especificação veicular como os Detroit Diesel) quanto de ignição por faísca (que equiparam alguns automóveis como os DKW e muitas motocicletas), é muito mais fácil. A grande maioria dos motores 2-tempos não tem válvula de admissão nem de escape acionada mecanicamente, valendo-se apenas da movimentação do pistão para abrir e fechar as janelas nos cilindros, o que facilita uma inversão do sentido de giro. Alguns outros, como a maioria dos Detroit Diesel 2-tempos (excetuando apenas a rara série 51), tem válvulas de escape, mas não chegam a ser um empecilho, tendo em vista que a sincronização é vinculada basicamente ao curso do pistão e que uma combustão completa requer apenas uma rotação. Assim, para qualquer lado que for acionado o motor-de-arranque, um motor 2-tempos pode funcionar a contento desde que os periféricos (alternador/dínamo/magneto, bomba de óleo e bomba d'água quando aplicáveis) também estejam aptos a operar com o giro invertido.
Já num motor 4-tempos, há de se recordar que uma combustão completa ocorre em duas rotações, exigindo que o comando de válvulas gire à metade da velocidade do virabrequim, e o perfil dos cames também deve ser levado em conta. Seria necessário, portanto, trocar o eixo do comando de válvulas para que as válvulas abrissem e fechassem na seqüência correta. Num motor com comandos duplos, separados entre admissão e escape, os eixos originais até poderiam ser aproveitados mas o ponto teria de ser alterado. Há ainda a sincronização da bomba injetora, quando aplicável, e que também deve ser ajustada.
Por mais que seja tecnicamente possível inverter o sentido de giro de um motor, pode não valer tanto a pena. Em alguns casos, inverter o sentido de giro do câmbio é muito mais simples, devendo-se apenas alterar o lado da coroa como nos câmbios de veículos Volkswagen com motor longitudinal (desde o Fusca até os últimos Gol G4) sem ter de trocar peças.
No caso de um motor 2-tempos, tanto Diesel (não só aqueles grandes motores náuticos e alguns estacionários/industriais mas também alguns de especificação veicular como os Detroit Diesel) quanto de ignição por faísca (que equiparam alguns automóveis como os DKW e muitas motocicletas), é muito mais fácil. A grande maioria dos motores 2-tempos não tem válvula de admissão nem de escape acionada mecanicamente, valendo-se apenas da movimentação do pistão para abrir e fechar as janelas nos cilindros, o que facilita uma inversão do sentido de giro. Alguns outros, como a maioria dos Detroit Diesel 2-tempos (excetuando apenas a rara série 51), tem válvulas de escape, mas não chegam a ser um empecilho, tendo em vista que a sincronização é vinculada basicamente ao curso do pistão e que uma combustão completa requer apenas uma rotação. Assim, para qualquer lado que for acionado o motor-de-arranque, um motor 2-tempos pode funcionar a contento desde que os periféricos (alternador/dínamo/magneto, bomba de óleo e bomba d'água quando aplicáveis) também estejam aptos a operar com o giro invertido.
Já num motor 4-tempos, há de se recordar que uma combustão completa ocorre em duas rotações, exigindo que o comando de válvulas gire à metade da velocidade do virabrequim, e o perfil dos cames também deve ser levado em conta. Seria necessário, portanto, trocar o eixo do comando de válvulas para que as válvulas abrissem e fechassem na seqüência correta. Num motor com comandos duplos, separados entre admissão e escape, os eixos originais até poderiam ser aproveitados mas o ponto teria de ser alterado. Há ainda a sincronização da bomba injetora, quando aplicável, e que também deve ser ajustada.
Por mais que seja tecnicamente possível inverter o sentido de giro de um motor, pode não valer tanto a pena. Em alguns casos, inverter o sentido de giro do câmbio é muito mais simples, devendo-se apenas alterar o lado da coroa como nos câmbios de veículos Volkswagen com motor longitudinal (desde o Fusca até os últimos Gol G4) sem ter de trocar peças.
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Considerações sobre a criminosa perseguição aos caminhoneiros
Em discurso feito na última terça-feira (17), o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) criticou a forma como a ditadora Dilma Rousseff tenta criminalizar os protestos legítimos dos trabalhadores do transporte rodoviário de carga, ao mesmo tempo que é conivente com grupos politicamente apadrinhados pelo PT como é o caso do MST. A imposição da MP 669, usada para criminalizar o direito de manifestação dos caminhoneiros, foi alvo de duras críticas do senador, que prometeu lutar para derrubar a medida, e fez uma analogia com a perseguição que sofrem na Venezuela os opositores do chavismo.
Mencionando bloqueios ilegais nas rodovias BR-155 e PA-254 na terça-feira durante todo o dia e prejudicando o trânsito de veículos, em ações orquestradas pelo MST que, apesar de ter "trabalhadores rurais" no nome, não representa os verdadeiros trabalhadores rurais, o senador Flexa Ribeiro salientou o tratamento diferenciado dado aos caminhoneiros. De fato, a imposição de pesadas multas e a repressão violenta levada a cabo pela Polícia Rodoviária Federal contra os trabalhadores do transporte não são replicadas nem de perto quando a ilegalidade é levada a cabo por grupos ligados ao ilegítimo governo petista. A bem da verdade, é no mínimo irônico como o partido que se diz "dos trabalhadores" persegue quem carrega a economia do país nas costas enquanto beneficia criminosos que tentam inviabilizar a qualquer custo o desenvolvimento agropecuário.
Espoliados pelo preço abusivo de insumos (óleo diesel, lubrificantes, ARLA-32, entre outros) com qualidade questionável, carga tributária obscena, alto custo dos pedágios, estado de conservação precário da malha viária e atos de violência (principalmente assaltos) aos quais estão expostos, não faltam razões para os caminhoneiros estarem insatisfeitos e tenham legitimidade para protestar. É lamentável que a ditadura petista prefira adotar modos venezuelanos para tentar calar trabalhadores, e vergonhoso quando nós lembramos que o PT sempre se valia de greves para desestabilizar outros governos enquanto foi oposição, mas agora mostra que pimenta no cu dos outros é refresco...
Mencionando bloqueios ilegais nas rodovias BR-155 e PA-254 na terça-feira durante todo o dia e prejudicando o trânsito de veículos, em ações orquestradas pelo MST que, apesar de ter "trabalhadores rurais" no nome, não representa os verdadeiros trabalhadores rurais, o senador Flexa Ribeiro salientou o tratamento diferenciado dado aos caminhoneiros. De fato, a imposição de pesadas multas e a repressão violenta levada a cabo pela Polícia Rodoviária Federal contra os trabalhadores do transporte não são replicadas nem de perto quando a ilegalidade é levada a cabo por grupos ligados ao ilegítimo governo petista. A bem da verdade, é no mínimo irônico como o partido que se diz "dos trabalhadores" persegue quem carrega a economia do país nas costas enquanto beneficia criminosos que tentam inviabilizar a qualquer custo o desenvolvimento agropecuário.
Espoliados pelo preço abusivo de insumos (óleo diesel, lubrificantes, ARLA-32, entre outros) com qualidade questionável, carga tributária obscena, alto custo dos pedágios, estado de conservação precário da malha viária e atos de violência (principalmente assaltos) aos quais estão expostos, não faltam razões para os caminhoneiros estarem insatisfeitos e tenham legitimidade para protestar. É lamentável que a ditadura petista prefira adotar modos venezuelanos para tentar calar trabalhadores, e vergonhoso quando nós lembramos que o PT sempre se valia de greves para desestabilizar outros governos enquanto foi oposição, mas agora mostra que pimenta no cu dos outros é refresco...
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Observações sobre algumas adaptações artesanais em automóveis para motoristas paraplégicos
Analisando alguns vídeos postados por motoristas paraplégicos no YouTube, onde mostram adaptações artesanais que usam, um dos que mais me chamou a atenção foi postado em junho do ano passado pelo Rick Villar, um morador de Curitiba que é bastante ativo nas mobilizações pela acessibilidade por lá. O carro dele, um Renault Clio II, teve adaptada uma alavanca à esquerda e presa diretamente sobre o pedal de embreagem, com uma extensão que toca o pedal de freio a partir da metade do curso da embreagem, e o acelerador teve o cabo original desconectado do pedal e levado a uma manopla de motocicleta montada no topo da alavanca. Lembra em alguns aspectos um sistema que o presidente americano Franklin Roosevelt passou a usar após contrair poliomielite para poder dirigir um Ford V8 da década de '30.
Outro vídeo que me chamou a atenção foi o do DJ André Rigoni. De 2011 e alegando à época ter gasto apenas R$115,00 com a adaptação, também usa uma alavanca à esquerda para embreagem, mas com um manete de freio de bicicleta para acionar o acelerador, e outra alavanca à direita para o freio, em um Volkswagen Gol Special já equipado com o acelerador eletrônico E-GAS e portanto acarretando num maior grau de complexidade.
Também merece destaque o vídeo do Samuel Martins, que me lembrou vagamente aquele sistema francês com uma alavanca ambidestra montada atrás do volante para aceleração que pode ser tanto conectada por hastes direto no pedal quanto acionar por meio de síncronos um servo que atua sobre o pedal em veículos dotados de airbag para os joelhos, e uma alavanca normalmente à direita para o freio eventualmente geminada com outra à esquerda, mas todas próximas o suficiente para acelerador e freio serem acionados com uma só mão, e normalmente associado a uma automatização da embreagem quando o câmbio automático não é disponível nem como opcional. Ele dirige um Volkswagen Gol G4 usando alavancas individuais para embreagem à esquerda, e freio e acelerador à direita, todas próximas ao volante e até bem integradas ao painel original do veículo, mas não mencionou custos.
Outro vídeo que merece destaque foi publicado pelo Eddy Banca, mostrando como ele dirige um Fiat Palio do primeiro modelo, usando uma adaptação de R$600,00 que chega a lembrar visualmente as principais adaptações disponíveis comercialmente para paraplégicos. Uma alavanca à esquerda do volante e ligada aos pedais por meio de hastes rígidas aciona o freio para baixo e o acelerador para cima, com outra para acionar a embreagem para baixo mas próxima o suficiente para que ambas possam ser acionadas com a mão esquerda, que também pode permanecer apoiada no volante durante trocas de marcha.
Enfim, enquanto alguns cidadãos ainda forem espoliados pelo custo de equipamentos tecnicamente simples mas que não são nenhum "luxo" e servem para garantir um pouco mais de conforto, segurança, autonomia e dignidade a eles, a criatividade vai se ver obrigada a aflorar em improvisos com diferentes graus de qualidade. A quem é "gearhead", "petrolhead", "dieselhead", "grease monkey", ou seja qual for o rótulo entre tantos que são aplicados aos entusiastas de automóveis, também cabe proporcionar uma acolhida a esses irmãos e na medida do possível auxiliar na melhoria do nível técnico das adaptações artesanais que para eles tem uma conotação muito mais intensa de liberdade.
domingo, 1 de novembro de 2015
Toyotão alongado
Houve um tempo em que esses Toyota Bandeirante alongados eram mais comuns no interior de Pernambuco, principalmente na cidade de Brejo da Madre de Deus, mas recentemente alguns exemplares começaram a aparecer pelo Rio Grande do Sul. Alguns levam operários e ferramentas para canteiros de obras, enquanto outros são usados para transportar turistas na região da Lagoa dos Patos e da Lagoa Mirim. Esse exemplar azul eu avistei ontem nas proximidades da estação rodoviária de Porto Alegre.












































