quinta-feira, 7 de junho de 2012

Motor traseiro: a melhor configuração para ônibus

Mesmo com a concorrência dos aviões, oferecendo um serviço rápido e que recentemente passou a ter preços mais competitivos, os ônibus ainda desempenham uma função essencial no transporte interurbano e interestadual de passageiros por todo o território brasileiro. Um país com dimensões continentais e cenários tão diversos acaba impondo diferentes níveis de exigência aos veículos, e um reflexo desse fenômeno pode ser visto pela diversidade de configurações técnicas na frota local...
Um bom exemplo dessa característica está na presença de modelos com motor dianteiro, que podem ser consideradas uma mera adaptação de chassis de caminhão para o transporte de passageiros.
Uma configuração considerada mais robusta e apta a enfrentar terrenos mais rústicos, à qual também é atribuído um menor custo de manutenção, além do custo de aquisição ainda ser mais baixo devido à menor tecnologia agregada, sobretudo nos sistemas de suspensão, mas na prática não supera vantagens de modelos com motor traseiro. Ironicamente, ao considerar modelos com um nível de equipamentos semelhante, um chassi equipado com motor traseiro acaba por ser mais simples de produzir em virtude do sistema de transmissão ser mais compacto, bem como as tubulações de escapamento...
A bem da verdade, a maior concentração de peso próxima ao eixo de tração é mais favorável aos ônibus de motor traseiro para enfrentar trajetos mais adversos...

Ainda que modelos antigos tenham uma configuração de suspensão tão rústica quanto similares de motor dianteiro, hoje a suspensão a ar está muito difundida nos modelos de motor traseiro, melhorando significativamente o conforto. O auto-nivelamento proporcionado por esse sistema também acaba colaborando para a manutenção de maiores níveis de segurança durante procedimentos de embarque e desembarque, tanto que tornou-se equipamento obrigatório nos ônibus articulados novos, por exemplo...

Para o transporte urbano, uma característica marcante é a possibilidade de montar um veículo com piso baixo, sem degraus, contribuindo para uma melhor acessibilidade para deficientes físicos, podendo contar com simples rampas retráteis para manter um nivelamento correto da plataforma de embarque sem ter de recorrer aos pesados elevadores eletro-hidráulicos usados em modelos com motor dianteiro.

No segmento rodoviário, a plataforma rebaixada mostrou-se fundamental para que os ônibus double-decker alcançassem o grande sucesso do qual hoje gozam. Essa foi a única forma encontrada para manter a altura interna sem entrar em conflito com legislações referentes à altura total do veículo...

Mesmo em ônibus rodoviários com um único andar, também há benefícios na motorização traseira: devido à menor intrusão de elementos de transmissão (mais notadamente o eixo cardan), linhas de combustível e tubulação de escapamento, é possível incorporar bagageiros passantes, que além de serem mais amplos são acessíveis por ambas as laterais, facilitando a arrumação das bagagens e eventuais encomendas. Os veículos também acabam sendo mais leves, o que pode tanto aumentar a capacidade de carga sem comprometer os limites de peso máximo admissível por eixo quanto reduzir o consumo de combustível.

Sob uma óptica mais generalista, um mito relacionado aos ônibus de motor traseiro é referente a eventuais dificuldades de manutenção. No entanto, a posição acaba por favorecer a acessibilidade ao motor e componentes de transmissão, que por não disputarem espaço com o cockpit podem ser posicionados de maneira mais adequada.

Por não haver intrusão do motor na cabine, o operador também tem um nível melhor de conforto. Além de permitir uma acomodação mais ergonômica do posto de condução, o nível de ruído interno é atenuado significativamente, bem como a irradiação de calor. Com o motor montado num compartimento totalmente separado, é possível fazer a aplicação de materiais isolantes termoacústicos com maior precisão, e também acaba-se diminuindo os riscos de um eventual vazamento de gases de escapamento dentro da cabine.
Na prática, por mais que gestores de frotas ainda se iludam com o motor dianteiro, cada vez mais o motor traseiro se mostra a melhor opção para os ônibus...

3 comentários:

  1. A los buses provinciales no hay mismo nada mejor que motor trasero. Pero es mas facil encuentrar autobastidores con motor delantero, aun que hayan muchos omnibuses integrales chinos y coreanos de motor trasero.

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  2. No Brasil, deveria ser proibido construir ônibus com motor dianteiro, nada justifica a pequena economia, de cardam, cabos etc. em relação ao motor traseiro, muito mais confortável principalmente para os motoristas no horário de trabalho.

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    1. Apenas em aplicações especiais como 4x4 eu seria favorável a um ônibus de motor dianteiro, fora isso o motor traseiro prevalece como a melhor opção.

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