quinta-feira, 1 de maio de 2014

Reboque: vale a pena usar?

Há muitas ocasiões em que o bagageiro de um carro compacto pode não ser suficiente, e dispositivos auxiliares como um reboque podem apresentar uma relação custo/benefício favorável em comparação a um utilitário de porte mais avantajado que vá ter um aproveitamento apenas eventual da maior capacidade de carga mas ainda assim tenha maiores custos fixos de manutenção.

Condutores com carteira de habilitação categoria B podem usar reboques com peso bruto total (incluindo a carga) até 3500kg, enquanto entre 3500 e 6000kg já é exigida a categoria C, e acima de 6000kg só com categoria E. Na prática, porém, não é muito comum que um reboque mais simples ultrapasse os 750kg de peso bruto total.
Por não ser considerado um veículo, mas um implemento, um reboque é isento de IPVA e do seguro DPVAT, apesar de ser cobrado o licenciamento anual. A maior inconveniência, ainda que possa ser compensada pelo uso de um veículo com custo operacional reduzido em comparação a um utilitário de porte mais avantajado, é o pagamento de adicional por eixo em estradas pedagiadas.

A simplicidade construtiva faz com que mesmo o custo adicional de pneus, molas, amortecedores (quando aplicável) e material de atrito para os freios ao recorrer a um reboque em conjunto com um carro represente um impacto menos significativo que manter uma caminhonete média, por exemplo.

Apesar de formar um conjunto mais comprido, e manobrar um carro com reboque ser uma arte que nem todos os motoristas dominam, quando o implemento não estiver acoplado preserva-se a manobrabilidade original do veículo.

Vale salientar também que, mesmo com um aumento no consumo de combustível, normalmente mesmo um carro médio-grande tem um layout de transmissão mais leve que o de uma caminhonete média com motorização semelhante, além do melhor coeficiente aerodinâmico, fazendo com que o uso de um reboque permaneça uma opção eficiente, tomando por referência um Vectra e uma S10 de 4 cilindros a gasolina.

Há também aqueles momentos em que, apesar de haver um compartimento de carga aparentemente adequado a determinada aplicação, incluindo pick-ups e outros utilitários, se torne mais prático transportar algum material num reboque de modo a reduzir o risco de danos ao veículo, ou no transporte de animais vivos como naqueles trailers para eqüinos.
Por exemplo, mesmo que uma pick-up full-size tenha uma capacidade de carga que permita o transporte de um cavalo, não vale o risco das ferraduras do animal danificarem o assoalho da carroceria, e num caso desses fica evidente o benefício de se investir num reboque.

Cabem algumas observações no tocante à segurança: um reboque acaba influenciando no desempenho do veículo devido à condição de carga mais severa, além de comprometer a agilidade, portanto pode se fazer necessário um melhor planejamento de itinerários e atenção redobrada em manobras, sobretudo quando o motor e os conjuntos de freios, suspensão e transmissão não sejam dimensionados para um fator de carga mais elevado, como em carros "populares".

Devido ao acréscimo que um reboque traz ao comprimento de um veículo, o uso de espelhos retrovisores externos com maior campo de visão não é exagero. Vale destacar que, independentemente do ano de fabricação, é obrigatória a presença de retrovisores em ambos os lados para que o veículo possa tracionar um reboque em vias públicas.

O acoplamento entre o reboque e o veículo é um ponto que merece atenção especial: além do engate e da conexão ao chicote elétrico, é obrigatório o uso de corrente de segurança. Qualquer engate de boa qualidade tem um gancho específico para passar a corrente.

A conexão elétrica mais comum para sincronizar os sistemas de iluminação do veículo e do reboque é feita por meio do plug de 4 pinos. Quando não estiver em uso, é recomendável manter a capa de proteção para evitar o acúmulo de detritos que possam vir a prejudicar o contato entre os conectores.

Embora os engates com pino fixo permaneçam mais comuns, o sistema com pino removível é mais recomendável, tanto por reduzir o risco de danos à estrutura do veículo em caso de colisão traseira quanto de lesões nas pernas de quem passar distraído por trás do veículo mesmo que esteja estacionado.
Até há alguns desavisados que, embora seja proibido, insistem em instalar apenas o engate fixo sem o plug de 4 pinos devido ao mito de que o acessório protegeria a traseira do veículo em caso de colisão, quando na prática poderia até agravar danos estruturais.

Alguns reboques de maior porte, normalmente a partir de 2 eixos, já costumam trazer um sistema de freio ativo com acionamento independente ao do veículo, podendo recorrer a um atuador elétrico. No entanto, a manutenção desse sistema de freio já é mais complexa que a de modelos mais simples, que usam apenas freio inercial (passivo).

A título de curiosidade, os freios de reboques (acoplados por cambão) e semi-reboques (acoplados com quinta-roda) com PBT acima de 6000kg usados em caminhões pesados são sempre integrados ao sistema original do veículo, por meio de conexões pneumáticas. Também é obrigatório nessas aplicações, além das luzes indicadoras de direção, de freio e lanternas, a luz de ré.

De um modo geral, a versatilidade proporcionada por um reboque, considerando também o custo operacional reduzido, o tornam uma opção bastante adequada.

Um comentário:

  1. O que pode dificultar a adoção mais ampla do reboque é a cobrança de pedágio, fora o fator cultural das pickups. Acho mais fácil comprar uma Strada de cabine dupla e um rack Thule do que um Palio e um reboque.

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