domingo, 28 de outubro de 2012

8 ou 16 válvulas: qual o melhor?

Ontem, um amigo meu que vinha cogitando a compra de um carro popular zero-quilômetro me contou que havia finalmente optado por um Dacia Renault Sandero usado, com o motor 1.6L de 16 válvulas, 4 por cilindro, e uma característica que ele ainda estranhava é o torque melhor distribuído em regimes mais altos de rotação, ainda que o valor máximo seja superior ao da versão de 8 válvulas, ou duas por cilindro. Se por um lado pode desenvolver uma velocidade final mais elevada em uso rodoviário sem maior esforço, por outro por exigir uma aceleração mais intensa para proporcionar arrancadas mais rápidas aumenta o consumo de combustível no constante anda-e-para do trânsito urbano...

Ainda hoje, persiste no mercado brasileiro uma ferrenha oposição por parte de alguns consumidores aos motores de 16 válvulas, barreira cultural até pouco tempo difícil de transpor. No entanto, hoje em alguns segmentos tal característica é considerada essencial para manter a competitividade. Vale destacar o caso do Chevrolet Cruze, oferecido com um motor 1.8L DOHC de 16 válvulas em oposição ao 2.0L OHC de 8 válvulas que equipava Vectra e Astra, denotando que o consumidor passa a considerar a tecnologia aplicada ao motor tão decisiva quanto a cilindrada. Essa mudança de perspectiva vem, desde a década de 90, sendo especialmente favorável a fabricantes de origem japonesa...
A diferença nas respostas de motores com 8 ou 16 válvulas já foi mais evidente, mas o desenvolvimento dos comandos de válvula variáveis proporcionou uma facilidade para manter a curva de torque mais plana, , o que agiliza as respostas em baixas rotações ao mesmo tempo que minimiza a diminuição gradual do torque acima da faixa de rotações em que o valor máximo é atingido. Desenvolvido pela Honda e testado exaustivamente na Fórmula 1, pode ser aplicado tanto a motores com eixo de comando de válvulas único quanto nos twin-cam, que contam com um eixo para comandar as válvulas de admissão e outro para as de escape. Se no primeiro caso ainda acaba operando a faixas de rotação mais restritas, mantendo num Honda Civic EX reações equilibradas tanto em cidade quanto em estrada, no outro acaba por proporcionar maior precisão no controle da duração da abertura das válvulas nas diferentes fases, o que é especialmente aproveitado em versões com orientação mais esportiva como o Honda Civic Si. VTEC just kicked in, yo.

Por algum tempo, os motores de 16 válvulas sofreram com a inexperiência e eventual má-vontade de alguns trocadores de peças mecânicos, levando-se à difusão do mito de terem manutenção muito mais complicada, fazendo ainda que por um tempo considerável modelos como o Chevrolet Corsa deixassem de oferecer qualquer versão com motor de 16 válvulas. É lógico que ter o dobro de válvulas para ajustar a folga é o terror dos preguiçosos, além de serem mais propensos à formação da "borra" de óleo ao usar lubrificantes de menor qualidade que de tão baixa qualidade não deveriam ser usados nem num Fiat 147, mas fazer a manutenção preventiva corretamente não é o fim do mundo. Hoje, alguns modelos como o Nissan March só são oferecidos localmente com motor de 16 válvulas, mesmo os 1.0L mais simples...

Na prática, por mais que a evolução tecnológica tenha levado os motores de 16 válvulas a apresentarem um bom funcionamento mesmo em modelos que exigem um torque mais farto a baixas rotações, como o Fiat Doblò, a maior simplicidade e custo inferior ainda proporciona aos de 8 válvulas uma relação custo/benefício favorável, levando modelos como a Chevrolet Spin a persistirem com essa configuração.

Por mais que haja um interesse em classificar arbitrariamente, o que realmente define qual é a melhor opção é o tipo do veículo e a aplicação ao qual vá ser destinado. Assim, se por um lado um hatch compacto como o Suzuki Swift fica bem servido por um motor 1.3L de 16 válvulas, por outro num Suzuki Jimny faria mais sentido um 8 válvulas...

9 comentários:

  1. O motor Fivetech, por exemplo, usado pelo Fiat Marea, e no Stilo Abarth, teve o filme queimado por essas pestes de mexânicos-ex-pedreiros-semi-analfabetos, e pelas pestes de proprietários-novos-ricos-pães-duros. Uns tinham preguiça de aprender como eles funcionavam, outros queriam economizar na manutenção. Aliás, o Fivetech tá com o filme queimado até hoje. O Fiat Linea,o Punto, e o Bravo, com seus motorezinhos quatro cilindros, que o digam. Em especial o T-Jet, que poderia ter uma cilindrada maior (1.6 ou 1.8), e ser flexibilizado. Porcaria de manolos.

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    1. Brasileiro tem esse problema mesmo, adora ostentar o que não pode manter adequadamente. O povão criticava o Vectra por ter motor "de Monza", mas vamos ver quanto tempo até conseguirem estragar o Ecotec do Cruze.

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  2. Quanto à falta de torque em baixa dos motores multiválvulas, é fácil resolver o problema. É só colocar um turbo nele, e tá tudo bem. Manutenção decente é o que importa. E que se danem os mexânicos-ex-pedreiros-semi-analfabetos e os seus manolos-clientes-novos-ricos-pães-duros!!!!

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    1. O turbo tem proporcionado não só uma melhoria substancial no torque em baixas rotações, como tem mantido a curva de torque mais plana.

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  3. Turbo e multiválvulas. Isso sim é motor moderno, quer os manolos gostem ou não.

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    1. Mas não basta ser multiválvulas, tem que ter duplo comando e variador de fase na admissão e no escape. E com os turbos de geometria variável é possível manter a curva de torque ainda mais plana, já que começam a "encher" mais rápido.

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  4. E assistência técnica especializada. Não esses desgraçados desses manolos-mexânicos-ex-pedreiros-semi-analfabetos. E proprietários conscientes. Não esses desgraçados desses manolos-novos-ricos-exibicionistas-pães-duros.

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  5. Vou pegar um Vectra 16 valvula motor Chevrolet e outro nivel

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  6. Hoje tem motor a diesel da Renault e da Ford que ainda é só 8 válvulas.

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