segunda-feira, 5 de novembro de 2012

"Duplagem" de cabines: uma arte quase extinta

Por muito tempo, as pickups foram consideradas essencialmente um veículo de serviço, com poucas opções orientadas ao conforto dos passageiros, mais notadamente cabine dupla. Modelos como a Chevrolet 3100, popularmente conhecida como "Chevrolet Brasil", era um dos poucos que chegaram a oferecer tal opção em tempos mais distantes, numa versão conhecida como Chevrolet Alvorada, que trazia uma interessante configuração de 3 portas. Chupa, Veloster... A versatilidade em trabalhos que exigissem ajudantes era o principal argumento, mas o uso familiar e recreacional também era levado em consideração.

O segmento acabou posteriormente sendo deixado de lado, motivado sobretudo pela introdução de caminhonetes fechadas, como a Chevrolet Veraneio, que além do espaço para passageiros traziam o espaço para carga protegido contra intempéries. No entanto, para alguns usuários era mais interessante a versatilidade proporcionada pela carroceria aberta para a arrumação de algumas cargas mais volumosas. Era o pretexto para que empresas independentes começassem a fazer a "duplagem" de cabines de pick-ups. Teve algum destaque a Brasinca, que já produzia cabines avançadas para os caminhões FNM, e foi credenciada pela Chevrolet para fazer a adaptação de cabine dupla na C-10.
Ainda assim era algo rústico, e a situação das "duplagens" só começou a mudar a partir de 1976 com a imposição de maiores restrições à importação de automóveis, quando passaram a ser oferecidos acabamentos internos mais requintados, grande quantidade de itens de conforto e maior espaço interno, de modo a atender ao menos em parte a demanda reprimida por carros de luxo.

Mesmo modelos como a Chevrolet D-20/C-20/A-20, apesar de oferecerem cabine dupla de fábrica, também eram alvo das adaptações independentes.

Durante o mandato presidencial de José Sarney a "duplagem" teve sua época áurea, favorecida pela isenção do "empréstimo compulsório" que era depositado no Detran durante o licenciamento anual do veículo. Até modelos de pequeno porte como a Ford Pampa podiam ser transformados. As menores restrições impostas a quem desejasse converter uma pick-up compacta para funcionar com óleo diesel também eram um atrativo.

A reabertura das importações em 1990, já durante o governo Collor, abriu espaço para as pick-ups japonesas, com a opção de cabine dupla direto da fábrica. Se por um lado modelos como a Toyota Hilux tinham opções mais limitadas para personalização, passavam a ser vistas como uma boa alternativa em função do custo/benefício numa comparação com as cabines duplas brasileiras produzidas em escala praticamente artesanal.
O segmento sofreu um duro revés, e algumas empresas como a Cia. Santo Amaro, que usava a marca Engerauto, retiraram-se do mercado das "duplagens".
Pode-se dizer que a oferta de versões da Ford F-1000 com a cabine estendida de fábrica pesaram na decisão, visto que a empresa é até hoje um dos distribuidores mais tradicionais da marca americana.

Porém, não se pode afirmar que as "duplagens" estão extintas. Apesar da complicada burocracia dificultar a homologação de modificações em automóveis, ainda há a procura pelo serviço em alguns nichos menos explorados pelos fabricantes, com destaque para as pick-ups compactas que contam com a Fiat Strada e alguns modelos de fabricação chinesa como únicas opções com cabine dupla de fábrica no mercado brasileiro. O consumidor que prefira por uma Ford Courier, por exemplo, tem que recorrer às adaptações.

Até alguns modelos que já ofereceram cabine dupla de fábrica, como a Ford F-250, também despertavam interesse por esse tipo de serviço. No caso da F-250, especificamente, o atraso na disponibilização da cabine dupla direto da fábrica servia como pretexto para a "duplagem"

Mesmo que hoje seja considerado brega, como muitos ícones culturais dos anos 80, a "duplagem" de cabines foi uma interessante alternativa à falta de opções de um período sombrio para o mercado brasileiro, que a atual política tributária ainda ameaça trazer de volta...

12 comentários:

  1. Eu curto picapes cabine dupla. Mas acho que o tamanho da caçamba deveria ser padronizado. Um tamanho único, tanto para cabine simples como para cabine dupla, como a Ford fazia com a F-250. Caçamba curtinha não faz mais sentido.

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    1. A meu ver, seria bom oferecerem a caçamba longa ao menos como opcional como acontece com as full-size nos Estados Unidos. Por lá até tem F-250 com cabine dupla e caçamba um pouco mais curta, mas a de tamanho normal oferecida como opção. No caso das pickups médias, um ponto bastante crítico é para o transporte de motos: num modelo de cabine dupla com aquelas caçambas curtas acaba quase sempre sendo necessário posicionar a moto em diagonal, mesmo aquelas trail que são mais compactas, já com a caçamba longa é mais fácil posicionar duas motos.

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  2. Sem falar, é claro, no visual diferenciado. Uma cabine dupla com caçambão fica, simplesmente, linda. E mais prática, podendo levar mais gente, e mais carga.

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  3. OLA,PESSOAL,

    TENHO UMA XK 2 PORTAS 89. QUERO SABER SE EXISTE UMA XK QUE SEJA COMO A BLAZER E O VERANEIO POIS VI UMA PASSANDO QUANDO ESTAVA NA CALÇA E E NÃO FOI POSSSIVEL EMCOMTRAL. CASO TENHA QUERO VER POSSIBILIDA DE FAZER IGUIAL COM A MINHA.

    OBRIGADO,
    Marcio Penha.

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    1. Só com duas portas, mas tem. Se quiser modificar, é relativamente fácil, mas pode ser melhor mandar fazer uma capota alta de fibra ao invés de cortar e emendar para fazer o prolongamento do teto.

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    2. Existe sim. É a XK Country fabricado pela mesma empresa que fez a sua.
      Abraço.

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  4. ola amigo tenho uma f1000 cabine dupla2 portas , queria saber se vc sabem quem adpita ela para 4 portas, obrigado

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    1. Não tem ninguém que eu possa indicar agora para fazer o serviço. O jeito é procurar em oficinas de funilaria, alguma que encare o desafio.

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    2. Boa noite amigo, eu transformo de 2 para 4 portas, se voce tiver ela ainda me chama no whats (11)983784869

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  5. Agora dizem que camionete gabinada é brega, mas são melhor que as gabines de fábrica. Ja andei numa d20 que tinha televisão, sofá-cama e até geladeira e atrás ainda cabia 3 pessoas com conforto e até 4 se for magro.

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  6. Gostei muito da exposição, entretanto gostaria de saber se é possivel conseguir o parachoque dianteiro, e a grade dianteira da f1000 SRXK 1999, fabricadas em fibra de vidro, se positivo por
    favor entrar dem contato pelo email ou no fone 61 3081 9879, agradeço desde já a atenção.
    Meu nome é Alexandre Carneiro.

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  7. O mais fácil seria encomendar reproduções dessas peças em alguma oficina onde se trabalhe com fibra de vidro, caso as originais não possam ser adequadamente recuperadas.

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