segunda-feira, 22 de julho de 2013

Sport-utilities: plataformas versáteis para experiências "eco-eficientes" sem perder a praticidade

Caminhonetes do tipo sport-utility, como a Ford Explorer, em muitas ocasiões são criticadas por não se enquadrarem dentro dos conceitos de "eco-eficiência" atualmente em voga. De concepção naturalmente mais pesada, tanto no tocante à carroceria e estrutura quanto à mecânica, podem no entanto apresentar-se como uma plataforma adequada a experiências "ecologicamente-corretas" sem impor tantas restrições à função como em alguns veículos menores que acabam sujeitos principalmente a uma sensível diminuição da capacidade de carga.

Motores com 6 ou mais cilindros são fáceis de se encontrar em veículos dessa categoria, como o clássico Vortec 4300 V6 que equipou a Chevrolet Blazer, reconhecido a nível mundial pela robustez e confiabilidade, a ponto de já ter sido usado também em aplicações náuticas, estacionárias/industriais e até na aviação experimental. É reconhecido também como um dos mais adequados ao uso de combustíveis alternativos, como o gás natural, que apesar de ser um tanto polêmico em função de temores relacionados à segurança e da disponibilidade ainda um tanto limitada encontra muitos adeptos. E, no caso das caminhonetes, o impacto da instalação do kit GNV na capacidade de carga é menos sensível que num veículo de porte menor, mantendo alguma praticidade, e em boa parte dos modelos pode-se ter os reservatórios de gás instalados abaixo da carroceria, no lugar originalmente destinado ao pneu sobressalente, para minimizar prejuízos à capacidade volumétrica e facilitar a acomodação de bagagens.

Motores grandes podem inicialmente parecer até certo ponto megalomaníacos, mas é conveniente recordar que podem não apresentar tanta desvantagem em consumo de combustível em comparação a um motor menor porém subdimensionado frente às necessidades do veículo, além de proporcionarem um menor comprometimento à segurança mesmo com eventuais sacrifícios no desempenho em função de gambiarras alterações visando um incremento da eficiência, desde remapeamentos de injeção e ignição até o uso de comandos de válvulas com perfis diferenciados, tanto alguns que priorizem o torque em baixos regimes de rotação quanto outros que simulem o efeito Atkinson, recurso que se tornou popular em híbridos. Vale destacar que algumas versões da Range Rover Sport contam com supercharger (blower) direto de fábrica, o que já é meio caminho andado para fazer os motores V8 de 4.2L ou 5.0L funcionarem no ciclo Miller...

Algumas caminhonetes modernas, como a Jeep Grand Cherokee e a Range Rover Evoque, acabam incorporando características construtivas que proporcionam mais leveza, como a estrutura monobloco e, no caso da Evoque, motor transversal. Apesar de tais técnicas realmente proporcionarem melhoria da eficiência energética, deve-se reconhecer que impõem maiores limitações em alterações para acomodar sistemas de propulsão alternativos, por exemplo, ou a substituição de uma maior quantidade de painéis de carroceria por similares feitos com materiais mais leves sem comprometer as respectivas funções estruturais.

Alguns modelos com o layout de carroceria separado do chassi, como a Toyota Hilux SW4/Fortuner e a Chevrolet Trailblazer, apesar de preservarem uma concepção mais pesada, oferecem uma plataforma ainda mais flexível para modificações mais extensivas, e ao usar componentes feitos com ligas metálicas distintas fica mais fácil aplicar proteções contra a corrosão galvânica, melhorando a durabilidade.

Cabe ressaltar, ainda, que em veículos dotados de tração 4X4 com reduzida, como é o caso de muitas caminhonetes sport-utility, é possível usar motores do ciclo Diesel sem violar a legislação brasileira em vigor, e beneficiar-se da maior eficiência desse ciclo termodinâmico em comparação com similares de ignição por faísca. Se motores Diesel de injeção direta possibilitam até experiências com o etanol, e proporcionam uma maior eficiência tanto com óleo diesel convencional quanto com biodiesel, até a injeção indireta hoje mais relegada à obsolescência ainda é recomendada para adeptos do uso de óleos vegetais puros como combustível alternativo. Modelos de porte compacto, como o Suzuki Vitara, podem ter excelentes resultados com o Diesel, obtendo médias de consumo na faixa de 16 a 18km/l quando repotenciados com o vetusto motor Volkswagen 1.6D de injeção indireta e 50cv mesmo esgoelando sem dó.
Logo, apesar de todo o criticismo que muitas vezes se mostra infundado e sustentado por estereótipos pejorativos, pode-se deduzir que sport-utilities são uma boa plataforma para experiências visando melhorar a eficiência energética sem comprometer a praticidade do veículo em uso cotidiano...

7 comentários:

  1. Tenho uma Explorer 4x2 com câmbio manual e o motor V6 e estou pensando em trocar o motor pelo 2.3 da Ranger. Queria mesmo algum motor a diesel mas o detran não libera por ela ser 4x2. Será que vale a pena botar um turbo para manter o desempenho parecido com o original?

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    1. Pode sim valer a pena, considerando que o motor menor vai poder trabalhar em regimes de giro mais baixos enquanto oferecer o mesmo desempenho, a exemplo do que acontece com o V6 original.

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  2. Desde moleque sou fã da Explorer, apesar do consumo assustar um pouco quem é acostumado com carro pequeno. Quando meu sogro faleceu ele era dono de uma Explorer, mas como ele andou meio adoentado acabou não tendo tanto tempo para ficar cuidando como ele sempre fazia. Nem a minha sogra e meus cunhados fizeram questão dela, então acabou ficando comigo, mas como é de tração traseira simples eu e o falecido meu sogro nunca conseguimos realizar um sonho dele que era passar para diesel, eu até cheguei a pensar em jogar a lataria toda dela em cima do chassi de alguma caminhonete já a diesel mas a papelada para regularizar é muito inviável. Por enquanto vai ficar chipada para álcool e com kit de gás natural mesmo.

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    1. A burocracia é mesmo o grande problema, não há qualquer justificativa tecnicamente plausível para manter as restrições ao diesel.

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  3. Como é esse ciclo Miller? Tem como fazer funcionar numa Blazer V6 com kit gás?

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    1. O que se convencionou chamar de "ciclo Miller" é na variedade mais uma variação do ciclo Otto. Usa um comando de válvulas com mais duração na admissão, para simular uma duração mais longa do tempo de expansão em comparação com o de compressão num motor 4-tempos convencional, e um compressor mecânico (popularmente conhecido como "blower" ou "supercharger") para compensar a descompressão provocada pelo maior tempo de abertura das válvulas de admissão, e foi um expediente muito usado entre as décadas de 40 e 50 em motores estacionários/industriais e náuticos, e muitos desses motores usavam combustíveis gasosos. Logo, não haveria problema em adaptar o motor duma Blazer para operar no ciclo Miller.

      O expediente usado no comando de válvulas é o que vem sendo feito nos motores dos carros híbridos, mas sem o compressor mecânico, e com a taxa de compressão estática aumentada mediante o uso de pistões mais cabeçudos e/ou cabeçote rebaixado, o que vem sendo erroneamente chamado de "ciclo Atkinson" (o ciclo Atkinson original usava um virabrequim articulado que proporcionava, de fato, um tempo de expansão mais longo que o de compressão).

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  4. Aí é um tapa na cara de muito mané que se diz ecologista e se acha melhor que os outros só por dizer que caminhonete polui mais.

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