terça-feira, 14 de junho de 2011

Considerações sobre os "cicloativistas" e acidentes com bicicletas

Com a grande repercussão da morte do presidente de uma grande indústria que durante a II Guerra Mundial obteve destaque no uso da biomassa como combustível para automóveis mas que hoje é mais conhecida pelos chuveiros e aquecedores de água elétricos, vale recordar que um assunto extremamente pertinente e vem sendo negligenciado é a segurança ao se conduzir uma bicicleta. Atropelado por um ônibus ontem, após perder o equilíbrio e cair, não dando tempo para o motorista do veículo coletivo frear e evitar o impacto, morreu logo ao dar entrada no Hospital das Clínicas de São Paulo. Através de rápida mobilização na internet, poucas horas depois do óbito, um grupo de "cicloativistas" organizou um ato político (apesar de ser classificado como "apartidário" não deixa de ter algum aspecto político) a título de "homenagem" ao empresário. Dessa vez, entretanto, eu não tive conhecimento de atos violentos praticados contra motoristas que tentassem trafegar pela via como aconteceu numa outra ocasião após a morte de uma conhecida "cicloativista", também atropelada por um ônibus.

Não é incomum nas grandes cidades brasileiras a existência de bicicleteiros que se intitulam "cicloativistas" e dizem defender o uso prático da bicicleta como instrumento de mobilidade urbana quando na verdade atacam o uso de veículos motorizados. Uma das ações que costumam fazer são "bicicletadas", quando saem em bando passando por ruas com grande movimento de veículos, gerando um transtorno ao trânsito enquanto desfilam em bicicletas que não raro custam mais do que uma motocicleta de baixa cilindrada ou um automóvel popular com mais de 10 anos de uso.

Recentemente, um funcionário público de Porto Alegre teve uma superexposição na mídia por ter atropelado um grupo de bicicleteiros que participavam da "massa crítica", que normalmente ocorre na última sexta-feira de cada mês. O grupo, que se inspirou na "critical mass" de Nova York, tem o hábito de ocupar todas as faixas de rodagem nas ruas por onde transitam, prejudicando não só os automóveis, que costumam classificar como um símbolo de "individualismo e opressão", mas também veículos de transporte coletivo. Ou seja, um trabalhador exausto depois de uma semana inteira de labuta vai ter que esperar mais tempo pelo ônibus para chegar à casa para o merecido descanso por causa de alguns veículos de transporte individual, mas que vem sendo promovidos por serem considerados ecológicos e, principalmente, "anti-consumistas". Chega a ser extremamente contraditório quando dizem que a bicicleta não estimula o "consumismo" quando alguns saem com aquelas roupas justinhas de competição e sapatilhas para pedalar bicicletas com quadro de fibra de carbono, repletas de peças de titânio, freios hidráulicos, lanternas de LED, uns aros especiais com pneus sem câmara para corrida (um único pneu desses em alguns casos chega a custar mais que 2 pneus para uma Honda CG 150, por exemplo) e umas campainhas barulhentas (criticam os motores dos automóveis tanto pela emissão de gases quanto pelo barulho, mas não pensam duas vezes antes de tocar a campainha em frente a uma clínica ou hospital), tal qual um "playboy" que sai de casa parecendo um manequim de loja da Nike para dar uma volta de carrão.

Já se tornou praxe em discursos desses bicicleteiros com pretensões políticas a alegação de que "respeito aos ciclistas" é mais importante que uma via segregada para a circulação de bicicletas, assim como é fácil ver alguns expondo pedestres ao risco de um atropelamento ao pedalar em velocidade excessiva pelas calçadas. Logo, por mais que tentem vilanizar o automóvel, é melhor segregar a circulação de bicicletas onde seja viável implantar uma ciclovia ou ciclofaixa devidamente sinalizada (preferencialmente com algum obstáculo físico) também para evitar que provoquem danos ao patrimônio ou integridade física de terceiros enquanto quiserem fazer das ruas um velódromo. Eu quando era mais novo nunca fiquei esperando que motoristas me "respeitassem" enquanto eu estivesse pedalando, não transferia a minha responsabilidade pela minha própria segurança aos outros tentando forçar a passagem em meio a veículos motorizados por excesso de confiança, nem ameaçava a integridade física de pedestres ao pedalar por calçadas quando não havia uma ciclovia ou ciclofaixa e o fluxo de veículos automotores estivesse alto a ponto de me causar medo - alguns "cicloativistas" mais fanáticos ou moleques exibicionistas me chamariam de covarde por não tentar "conquistar espaço na rua", mas eu prefiro ser julgado por 12 que carregado por 6 e tenho consciência de que não preciso exibir "coragem" para provar nada a ninguém.

Apesar de tudo, além de moleques que por causa da idade ainda não podem obter carteira de habilitação, não é difícil encontrar ciclistas cometendo abusos mesmo quando não são, necessariamente, "cicloativistas". Um depósito de água e gás na movimentada Avenida Osvaldo Aranha, além de motos, triciclos motorizados e uma pequena caminhonete, usa bicicletas para fazer entregas. Eu mesmo já escapei de ser atropelado por alguns entregadores usando o veículo não-motorizado. Em horários de pico é possível ver os "bike-couriers" trafegando pelas calçadas cheias de pedestres a uma velocidade superior à dos automóveis nas pistas...

7 comentários:

  1. Buenas,

    Vejo que o blogueiro tem uma opinião forte a respeito, então coloco a minha também!

    O mundo está girando em torno da Sustentabilidade, mais do que uma ação de marketing, uma necessidade muito próxima. Unido a isto, vamos (como ciclistas) reduzir dois danos da humanidade: Sedentarismo e emissão de gases á Atmosfera.

    O fato que tudo que se faz e gerou consistência se passou pela politica. Nós, como blogueiros, fazemos papel forte na politica, denunciando abertamente nossos males e necessidades cidadãs.

    Vejo que estas passeadas são importante para chamar a atenção da população, mas discordo quando qualquer movimentação se dê quando prejudica alguém.

    Mas nada está perdido. Já temos um (tímido) plano de ciclovia. Aqui na Restinga existe, embora incompleto.

    Em pouco tempo faremos algo positivo (não prejudicar o nosso meio) e saudável sem atrapalhar os motoristas.

    Abraço!

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  2. A malha cicloviária é mesmo essencial para que a bicicleta seja considerada uma alternativa viável sem sacrificar a segurança. Mas talvez em outros bairros com uma topografia mais irregular possa não dar tão certo quanto na Restinga. Isso vai além da visão limitada de alguns que insistem em um discurso atacando uma "elite" que teoricamente seria contra o uso da bicicleta por possibilitar uma mobilidade urbana mais econômica a camadas menos privilegiadas da pirâmide social, mas no natal dá uma mountain bike para o filho...

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  3. gostei de seu comentário, faz sentido em muita coisa que penso, valeu....

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  4. Disse tudo e algo mais!

    Conquistar espaço para as bikes é uma coisa, e agir com baderna e falta de organização é outra. Infelizmente é o que está ocorrendo nas "critical mass" espalhados pelo Brasil. O povo que quer a atenção pode muito bem fazê-lo sem atrapalhar quem não tem nada a ver com a coisa, mas vai dizer isso para os "fántáticos das suas rodas".

    Como ciclista tem vezes que fico envergonhado de muitas atitudes de "colegas" do meio ciclístico Muitos deveriam pensar n aseguinte frase: "ou seu direito termina quando começa o do outro" simples assim!

    Parabens pelo texto :D

    Abs
    Kiko Molinari - Carros Raros BR

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  5. Pois é, Kiko, alguns dos teus "colegas" são insuportáveis e só querem tumultuar. Acham que argumentação tem que ser menos racional e mais política, repetindo frases feitas que quase chegam a soar como devaneios maoístas...

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  6. Já fui atropelada por um desses assassinos que ficam andando de bicicleta descendo pela calçada correndo na Ramiro Barcellos, caí quebrei uma costela e ainda tive que colocar 3 pinos no braço esquerdo e o marginal se levantou rápido saiu correndo sem nem se prestar a chamar a ambulância. E não é pobre que faz isso, era uma bicicleta daquelas de corrida que parece que vai arrebentar se colocar peso em cima.

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    1. Comigo já teve um desses que uma vez passou tirando fina. Reclamam tanto quando os motoristas passam a menos de 1,5m deles mas não falta descaso da parte deles no caso de pedestres, usando a calçada como velódromo.

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