domingo, 2 de março de 2014

Gurgel chinês: uma grande contradição brasileira

Muito se lamenta pela ausência de uma indústria automobilística de capital brasileiro, mas o glorioso passado da antiga Gurgel Motores é hoje vergonhosamente ofuscado pela sombra desse exótico triciclo utilitário fabricado na China, mas que desde 2004 é vendido no Brasil como Gurgel TA-01. O exemplar das fotos, que eu vi próximo à estação Niterói do Trensurb, já no município de Canoas, é da versão feita até 2006, antes que o conjunto óptico dianteiro do Fiat Uno Mille até 2004 e uma falsa grade decorativa inspirada também no Uno fossem adotados. Na mesma época, passou a ser montado em Três Lagoas-MS, incorporando uma maior quantidade de componentes nacionais.
Valendo-se do fato de que o registro da marca havia caducado junto ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual), em 2004 o comerciante Paulo Emílio Freire Lemos registrou a propriedade da marca por meros R$850,00, valor considerado muito aquém de tudo o que a extinta Gurgel Motores e seu fundador, o lendário João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, representaram para o progresso da indústria automobilística brasileira na época em que a empresa esteve originalmente ativa, de 1969 a 1996.
Com motor Diesel estacionário de 1 cilindro, refrigeração a água por evaporação, e aproximadamente 1.2L de cilindrada rendendo limitados 20hp, consegue alcançar não mais do que 60km/h, mas o consumo numa faixa de 20km/l acaba sendo considerado um forte atrativo desse modelo, visto que nenhuma caminhonete com o layout tradicional de 4 rodas e capacidade de carga semelhante atingem esse resultado. A transmissão primária (entre o motor e o câmbio de 4 marchas do tipo transeixo) é feita por meio de correias de borracha.
A capacidade de carga nominal de 1200kg possibilitou ainda que estivesse legalmente apto ao uso do diesel no Brasil. A falta de uma cabine fechada e de ítens bastante triviais como cintos de segurança, velocímetro, marcador do nível de combustível, e até mesmo freio na roda dianteira (conta apenas com tambores nas rodas traseiras), teve de ser homologado como máquina agrícola para que pudesse ser regularizado e licenciado para uso em vias públicas.

3 comentários:

  1. Amaral Gurgel deve se revirar no túmulo com isso.

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  2. Assim todo aberto fica estranho mesmo, e a velocidade máxima de 60km/h não ajuda. Não fosse por esses pequenos detalhes, até faria sentido deixar de investir numa picape média para usar um desses no trabalho.

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