segunda-feira, 17 de março de 2014

Uma breve reflexão sobre o side-car no mercado brasileiro

Um país empobrecido pela administração pública extremamente parasitária, com alto custo de combustíveis e outros insumos, parece oferecer condições operacionais bastante propícias ao uso das motos com side-car para transporte de passageiros, embora no Brasil isso acabe não ocorrendo, e seja mais utilizado para cargas, principalmente garrafões de água mineral e botijões de gás. Além de alguns fatores "culturais" que provocam uma rejeição ao side-car, como o uso pelos nazistas durante a II Guerra Mundial (tanto que ainda há quem se refira a motos com side-car como "a moto do nazista"), a burocracia brasileira também leva a um declínio no interesse por essa eficiente solução para o transporte leve que, embora tenha se consolidado no mercado europeu desde a primeira década do século passado só começou a ganhar força na República das Bananas em '97.
A exigência de emplacamento para o side-car, mesmo sendo atualmente considerado pelo DENATRAN uma carroceria ao invés de ser equiparado aos reboques, sempre foi um ponto polêmico: se antes ao ter placa específica para o implemento era mais fácil uma intercambialidade entre diferentes motos, agora é registrado como parte integrante da moto à qual estiver atrelado, devendo ter uma placa idêntica, o que acaba por requerer mais burocracia ao transferir o equipamento para outra moto. Como o side-car não impede a correta visualização da placa do veículo, já me parece um contra-senso exigir que seja emplacado. E mesmo assim, a manobrabilidade e facilidade em encontrar vagas para estacionamento mesmo em áreas com fluxo intenso de veículos tem proporcionado um crescimento na aceitação do side-car no uso comercial e de serviços.
Cabe também salientar a racionalização da extensão da plataforma de carga, considerando que uma Honda CG 125 tem pouco mais da metade do comprimento de um Ford Ka mesmo atrelada ao side-car, e ainda leva vantagem pela proporção de carga e passageiros distribuídos pela área ocupada no leito carroçável da via...

Os side-cars destinados ao transporte de passageiros, além de serem associados pelo brasileiro mediano à imagem de gambiarra devido à simplicidade construtiva, o uso no Brasil ficar mais restrito a motos "populares" entre 125cc e 150cc fazer com que acabe não sendo considerado tão "nobre" e, pela falta de uma cultura motociclística realmente desenvolvida apesar da participação das motocicletas no mercado nacional ter crescido muito tanto nos modelos básicos como a Honda CG quanto em segmentos de maior prestígio, o side-car acaba não tendo o merecido reconhecimento. A possibilidade de obter médias de consumo na faixa de 25km/l e a menor quantidade de peças de reposição já trazem vantagens tanto sob o ponto de vista financeiro quanto o ecológico em comparação a qualquer automóvel 0km atualmente à venda no Brasil, desde um "popular" que mal consiga superar os 12km/l e cujo custo esteja beirando os R$30.000,00 até os poucos híbridos oferecidos oficialmente. Além do custo de aquisição do conjunto formado por uma moto de baixa cilindrada e um side-car ficar numa faixa em torno de R$13.000,00 há de se incluir na conta a menor quantidade de matérias-primas e energia a serem gastas na produção tanto da moto quanto do side-car e respectivas peças de reposição que venham a ser usadas durante a vida útil operacional.
A imposição da idade mínima de 7 anos para que uma criança possa ser transportada no side-car, mesmo com capacete e cinto de segurança tal como na moto, também desincentiva o uso familiar. Nesse aspecto, me parece que há um interesse deliberado em criar tantos entraves burocráticos ao side-car apenas para impedir um possível impacto do incremento na eficiência energética da frota nacional sobre o caixa da Petrobras, enquanto não há impedimento ao transporte de crianças em veículos de 4 rodas e carroceria aberta, como alguns jipes.

14 comentários:

  1. Para um país pobre como o nosso o sidecar realmente faz sentido. Brilhante observação sobre a falta de segurança nos jipes para argumentar contra as restrições ao transporte de crianças em motos e sidecars.

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  2. É estranho esse dispositivo, mas parece não ser uma má idéia. Só acho que é mesmo melhor usar para cargas pequenas que para substituir um carro normal.

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  3. Parabéns pelo artigo, sou motociclista há alguns anos e adoro viajar de moto, porém sempre preciso deixar minha filha com minha mãe, agora estou querendo um sidecar para passageiro pra minha moto há algum tempo pra poder passear com minha filha e minha esposa, infelizmente devido à idade mínima de 7 anos terei que esperar mais 2 anos pra adquirir um (concordo plenamente com a comparação sua com jipes e outros veículos de carroceria aberta), só espero que até lá a legislação não mude porque é impressionante como o governo brasileiro gosta de colocar empecilhos para adaptações em veículos, falo isso porque tive muita dor de cabeça com um triciclo artesanal, tanto que optei por voltar para uma moto e adquirir um sidecar, agora é esperar e torcer pra legislação não ser modificada e atrapalhar meu sonho de poder viajar de moto com minha família!

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    1. Se a legislação mudasse para melhor, favorecendo o uso do side-car, até seria algo de se comemorar, mas conhecendo o nível dos políticos brasileiros é melhor nem esperar nada. Eles tem o dom de meter os pés pelas mãos e criar aberrações jurídicas que só beneficiam a bandidagem (desde ladrão-de-galinha até os criminosos de colarinho branco).

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  4. Verdade, neste país, não são pensadas soluções que ajudem seus habitantes e sim meios de aumentar a arrecadação por meio de impostos e taxas sem sentido outro que não seja obter lucro em cima do já penalizado cidadão.

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  5. Sidecar passageiro é muito top, já estou vendo vários na minha cidade!

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    1. Enquanto isso, em Porto Alegre ainda predominam os de transporte de carga.

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    2. Boa tarde! Estou avaliando a viabilidade de colocar um Side-Car, ele tem muitas vantagens, mas minha única dúvida restante é sobre o quadro da moto...será que ele força muito com a estrutura da moto? Por acaso você tem esta informação?

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    3. Se o acoplamento do side-car for corretamente dimensionado, não vai forçar o chassi original da moto.

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  6. A cultura do Brasil é com motos pequenas, de até 150cc. Pensa você enfrentar o trânsito caótico de nossas cidades esburacadas em uma CG com um sidecar, vc perde a vantagem do corredor e provavelmente não poderá passar dos 60 km/h com segurança. Acho que a introdução do Sidecar de passageiro deveria ser feita apenas por motos com 600cc para cima.

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    1. De fato, o desempenho mais restrito prejudica a aceitação do side-car em motos pequenas por parte de usuários particulares, que priorizam um veículo pau-pra-toda-obra que possa ser usado não apenas em trajetos urbanos mas também em eventuais percursos rodoviários. Mas a moto nem precisaria ser duma faixa de 600cc ou mais para já conseguir acompanhar com segurança o tráfego rodoviário.

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  7. Boa noite amigos.
    Possuo uma Royal Enfield com sidecar. Não há necessidade de placa no sidecar, na legislação isso não existe. Viajo por todo lugar com o meu sem problemas, nos pedágios pago se moto pagar. Caso contrário tenho passado sem nenhum problema pelo local de passagem de motocicleta, pois é o que é no documento, motocicleta com 3 lugares. Espero ter ajudado. Visitem minha página sobre sidecar. https://www.facebook.com/adailroyal/

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    1. A maioria dos side-cars que eu já vi tinham placa, mas desde que o side-car passou a ser classificado como carroceria passaram a usar a mesma placa da moto. Até hoje só vi um side-car sem placa.

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  8. tenho um estou muito satisfeito sou amputado p/esquerda e me sinto muito bem pilotando ele.Ja tive tricicolo ja andei de moto com protes hoje uso bengalas canadenses no meu said na estrada chego a 100km tranquilo;

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