quinta-feira, 6 de março de 2014

Side-car: uma opção adequada à renovação de frota?

Considerando a patética realidade econômica, política e social do Brazil, a republiqueta bananeira chafurdada em escândalos de corrupção e inebriada pela mais profunda degradação moral, todo o jogo de empurra que se faz quando a pauta da "renovação de frota" é posta à mesa de discussão é suficiente para evidenciar que não há um real interesse em promovê-la de uma forma que a transição de um "sucatão" todo fodido para algum veículo novo se dê da forma mais adequada às necessidades operacionais do cidadão que estivesse a fazer a troca.

A meu ver, não é tão realista imaginar que o Zé-da-esquina que mal conseguiria amarrar uns arames numa Belina caindo aos pedaços daria conta de manter qualquer milzinho 0km em condições aceitáveis de conservação e segurança, enquanto opções adequadas à realidade brazileira são sistematicamente marginalizadas de modo a perpetuar algumas discrepâncias que asseguram muitas tetas para os corruptos de plantão seguirem mamando...

Devo reconhecer que, em outros momentos, de fato emiti opiniões desfavoráveis ao uso de side-cars, mas após algumas reflexões passei a considerá-los até bastante adequados às condições operacionais que tem prevalecido no trânsito das principais cidades brazileiras, além de conciliar capacidade de carga próxima à de alguns carros subcompactos ao menor custo de aquisição e manutenção inerente às motocicletas utilitárias de baixa cilindrada.
Não apenas para o transporte de cargas, aplicação na qual os side-cars tem uma aceitação mais ampla no mercado local, há muito o que se salientar acerca da utilidade no transporte de passageiros, tanto em uso privado/familiar quanto remunerado (moto-táxi), vencendo ainda a percepção incutida no imaginário popular de que o side-car seria uma gambiarra. É importante frisar que,  nos mercados europeu e americano, com uma cultura motociclísticas mais desenvolvida, o side-car ainda encontra entusiastas fervorosos, e tem no transporte de passageiros basicamente a única aplicação atual.

Já no Brazil, apesar de um incremento na participação das motocicletas de média e alta cilindrada no mercado, ainda acaba-se por manter estigmas que levam o side-car a ser visto ainda como não sendo tão "nobre" para o uso recreacional, enquanto na Zooropa o principal interesse por side-cars tem raízes "nostálgicas" exatamente vinculadas à contribuição que deram ao desenvolvimento europeu numa época em que, além do custo de aquisição e manutenção mais baixo, a maior simplicidade mecânica acabava por proporcionar uma aptidão até mais elevada a condições meteorológicas severas, enquanto muitos carros antigos precisavam ficar em garagens com aquecimento interno para evitar que a água do radiador congelasse e a expansão do gelo causasse estragos no sistema de refrigeração ou até mesmo arrebentar o bloco do motor...

Na verdade, chega a ser um tanto irônico que um dos povos mais adeptos a improvisos cuja confiabilidade se mostra muitas vezes discutível, acabe por apresentar uma intrigante mescla de desconfiança e desprezo por uma alternativa que já demonstrou utilidade até mesmo em campo de batalha durante as duas grandes guerras mundiais do século passado...

A título de curiosidade, durante o período entre-guerras o "carro do povo" na Alemanha na verdade não era o Fusca, que acabou por se firmar no mercado local já no pós-guerra devido principalmente ao trabalho do interventor britânico que havia assumido a direção da fábrica logo após o fim do conflito, o major Ivan Hirst. Nesse meio-tempo, a função que seria do Fusca acabava delegada às motocicletas com side-car.

É conveniente salientar que o contexto político e o intervencionismo estatal na economia do Terceiro Reich não eram tão diferentes do que tem acontecido no Brazil nos últimos anos, com a gritante diferença que nessa terra infestada de parasitas politiqueiros não foi necessário que nenhuma potência estrangeira impusesse um processo de desmilitarização que acaba por propiciar a consolidação de um regime totalitário, por impedir que inimigos internos sejam devidamente expurgados.

Não é tão adequado esquecer que paga-se no Brazil um preço dinamarquês por gasolina de qualidade africana, então uma motocicleta com side-car obtendo médias de consumo de combustível significativamente mais contidas que as de qualquer hatchback "popular" atualmente comercializado no país já leva uma boa vantagem, mas aí já se começaria a desafiar os interesses de alguns burocratas que já estão criando raízes dentro da combalida Petrobras, cujo caixa vem sendo saqueado para cobrir outros rombos estatais e ainda para patrocínios a "artistas" de talento discutível que só garantem uma boquinha por estarem ideologicamente alinhados aos atuais detentores do poder central.

Mas esse não é o único exemplo de incoerências político-burocráticas contra o side-car: ao lembrarmos que, apesar do conjunto formado pela moto e o side-car ter um pneu a mais que a moto avulsa, ainda é um pneu a menos na comparação a um carro de capacidade de carga comparável ao conjunto. Fala-se muito sobre o acúmulo de água parada dentro de pneus velhos descartados incorretamente e o favorecimento à procriação do mosquito da dengue, quando na prática a redução na quantidade de pneus velhos a serem descartados não apenas contribuiria numa redução nos focos de mosquitos como também facilitaria a logística para um descarte adequado e eventual reprocessamento de pneus velhos e outros resíduos de origem veicular.

Considerando que a "renovação de frota" realmente seja levada a sério e promovida de uma forma adequada às reais necessidades operacionais do usuário, não seria justo tratar com tanto descaso as possíveis aplicações para o side-car...

4 comentários:

  1. Se não fosse pela burocracia de ter que adicionar categoria de moto na carteira de motorista eu até encarava uma moto com side-car. Sempre gostei de moto mas não tem como andar com a mulher e a filha penduradas numa.

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  2. Faz todo sentido. Com o preço dos carros populares e da gasolina o sidecar chega a parecer uma opção boa para os pobres.

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  3. Toda a sua argumentação em defesa dos sidecars faz sentido. Sou militar e cada vez mais me decepciono ao ver os rumos que o país vem tomando sob as garras dessa esquerda podre, e não é só por causa do preço da gasolina. Pior que do jeito que a coisa anda, se bobear até as FF.AA. vão ter que acabar recorrendo a esse tipo de veículo que lugar nenhum emprega mais em campo de batalha, afinal é muito mais conveniente para os políticos ladrões presentear os camaradas deles em republiquetas ainda mais miseráveis que o Brasil do que dar respaldo a nós militares para lutar contra os inimigos da pátria.

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  4. Já cheguei a ver fotos de sidecars cobertos que tem em algum lugar da Ásia, até seria uma boa por manter os passageiros mais protegidos da chuva e alguma bagagem mais protegida contra furto ou vandalismo.

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