sábado, 19 de julho de 2014

Parachoque de impulsão: um acessório controverso

Um daqueles elementos que surgiu com uma função mas passou a ser mais apreciado pela forma, o parachoque de impulsão, também conhecido como "quebra-mato", serve basicamente para proteger a frente do veículo de pequenos danos enquanto algum obstáculo fosse impulsionado para fora da trajetória a ser percorrida, e mais adequado a veículos de porte mais avantajado como uma Blazer ou uma D20.

Porém, acabou virando mais uma modinha, influenciado pela popularidade em utilitários-esportivos que se tornaram símbolo de status no país, e hoje se vê até hatches "populares" como Fiat Uno e Celta com o equipamento. Às vezes, não são lá tão robustos como os que são usados em caminhonetes, mas ainda assim há controvérsias devido à interferência que podem provocar na absorção de impactos em caso de acidente, considerando que a estrutura dos modelos mais básicos não prevê pontos adequados para a fixação desse tipo de estrutura externa. No caso do Celta, a própria Chevrolet ofereceu o equipamento como parte do já extinto "kit Off-Road".

No tocante à segurança, criaram-se alguns mitos quanto a uma maior proteção que o parachoque de impulsão poderia proporcionar em veículos com posto de condução avançado e basicamente nenhuma zona de deformação programada para absorção de impactos, caso da Kombi e de caminhões de cabine avançada como o Daihatsu Delta, mas na prática se não for bem ancorado no chassi os benefícios se revelariam nulos.

Há até quem considere os parachoques de impulsão algo "brega" e que só pelo aspecto visual discutível deveria ter o uso e especificações disciplinadas, e outros que apontam os riscos do agravamento de lesões em casos de atropelamento, e realmente é um tema que deve ser tratado com alguma seriedade.

Desde 2002 a União Européia vem impondo restrições ao uso de parachoques com superfícies metálicas aparentes, e o que parecia ser o fim do quebra-mato foi contornado. Modelos como o Land Rover Discovery 4 da foto acima tem a opção por parachoques de impulsão devidamente homologados pelo fabricante, e com revestimento em material plástico que acabam por absorver melhor alguma parte do impacto em caso de colisões com outros veículos ou em atropelamentos, diminuindo a intensidade dos danos. No entanto, em alguns países como a Inglaterra, ainda há lacunas na legislação que permitem o uso de parachoques com superfície metálica desde que tenham suporte para guincho, os chamados "winch bumpers" como o usado no Land Rover Defender abaixo.

Como a maioria dos veículos comercializados no Brasil é derivado de plataformas homologadas na União Européia, seria até mais fácil seguir os padrões europeus mesmo. Um exemplo a ser analisado é o Ford Fiesta Trail: o pacote de acabamento com inspiração num estilo soft-roader oferecido na 5a geração do hatch compacto teve inicialmente um parachoque de impulsão tubular, mas posteriormente passou a adotar uma simples moldura decorativa apenas pelo aspecto visual, mas que acabava sendo mais adequada ao projeto original por não interferir de forma prejudicial na absorção de impactos, nem no acionamento do airbag.

A própria Ford já chegou a ter problemas com consumidores do Ecosport de 1a geração em função do uso de parachoques de impulsão, contra-indicados explicitamente pelo fabricante mas ainda comercializados como "acessórios originais" em concessionárias. Em alguns casos, o airbag não disparou em caso de colisões, e tanto a Ford quanto algumas concessionárias que vendiam os equipamentos chegaram a ser acionadas judicialmente.

Mesmo a Fiat, que iniciou o modismo dos soft-roaders no Brasil com a Palio Adventure, deixou de lado os parachoques de impulsão.

Portanto, além de ponderar as prioridades entre forma e função, é importante também refletir se um parachoque de impulsão é mesmo adequado ao veículo ou teria efeitos mais prejudiciais que benéficos.

Um comentário:

  1. Acho que o Brasil é o país onde mais se tem coisas para "disciplinar", mesmo que as regras criadas pelos burocratas na prática não tenham serventia no mundo real. Mas realmente alguma coisa tem que ser feita com relação a esses quebra-matos que o pessoal bota sem critério nenhum até em carrinho pequeno que não chega nem perto dum gramado molhado.

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