sábado, 3 de setembro de 2011

Ciclo Atkinson e os híbridos atuais, um equívoco para fins publicitários

Atualmente, ainda que venha sendo constante citar motores de ciclo Otto usados em automóveis híbridos como se operassem no ciclo Atkinson, no qual um virabrequim mais sofisticado (e inviável para um modelo de produção em série nos dias atuais por se tornar mais caro e deixar o motor mais volumoso e pesado) era usado para que num único giro do volante do motor ocorressem todos os 4 tempos, há diferenças significativas entre os mesmos.

No caso do verdadeiro ciclo Atkinson, é possível notar que o curso de expansão é mais longo que o de compressão, aproveitando melhor a energia da combustão, fenômeno que se tenta simular nos Otto usados em híbridos ao se aumentar a taxa de compressão e manter as válvulas de admissão com uma duração de abertura maior. E assim, uma porção de ar escapa, reduzindo as chamadas "perdas por bombeamento", e diminuindo a quantidade de combustível injetada. Mas se fica mais econômico, sacrifica potência e torque em comparação com um similar Otto de funcionamento mais tradicional...
Para atribuir uma imagem diferenciada e soar mais "ecologicamente correto", os departamentos de marketing das principais indústrias automobilísticas passaram a usar a nomenclatura equivocada. Obviamente, há um preço que o consumidor pagará pelo "privilégio" de rodar num veículo equipado com motor teoricamente diferenciado, além do custo já elevado pelo sistema auxiliar de tração elétrica.
Vale destacar que, ao contrário do Atkinson original, tais versões modificadas do ciclo Otto não tem resultado satisfatório em conversões para rodar com combustíveis gasosos como o gás natural/biometano e o gás liquefeito de petróleo (popular "gás de cozinha", bastante usado para fins automotivos em outros países), tanto que o Kia Forte LPI Hybrid oferecido no mercado sul-coreano usa um Otto sem o artifício no comando de válvulas para poder usar o gás liquefeito de petróleo com segurança e eficiência. A propósito: um motor de ciclo Atkinson verdadeiro não teria maiores problemas ao rodar com combustíveis gasosos, pois a abertura das válvulas não sofre alterações.

5 comentários:

  1. Pelo menos nos motores V8 usados na versão híbrida da Silverado americana dava de usar o Atkinson na boa

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  2. Eles enxergarão isso, Kamikaze, não derarão muito. Até lá, vamos fazendo nossa parte para esclarecer o público que alcançarmos.

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  3. O problema é que atualmente o público-alvo desse tipo de veículo gosta dessa história, e ter um motivo a mais para praticar exibicionismo.

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  4. Respostas
    1. Eles costumam ser arrogantes e exibicionistas demais para aprender. Preferem estar em evidência sempre, mesmo que a crença deles não seja correta.

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