quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Híbridos: uma reflexão sobre a exagerada promessa ecológica...

Em meio a esforços para reduzir o consumo e emissões poluentes de veículos motorizados, os sistemas híbridos tem caído nas graças de uma quantidade significativa de consumidores mundo afora. Até mesmo no atrasado mercado automotivo brasileiro já existem opções, a maioria por importação independente, enquanto a Ford comercializa oficialmente uma versão híbrida do Fusion, que atualmente é usada até mesmo como viatura oficial da presidência da república das bananas.
O motor elétrico, montado entre o motor de 4 cilindros a gasolina e o câmbio (CVT no híbrido, ao invés do automático convencional de 6 marchas), acaba acumulando ainda a função do motor de arranque, e a grande e pesada bateria tracionária é montada no compartimento de bagagens (ocupando um espaço absurdo comparável ao ocupado por 2 cilindros de GNV de tamanho compacto). O motor a gasolina ainda conta com uma alteração no comando de válvulas de admissão, para que permaneçam abertas por mais tempo, liberando parte do ar da admissão visando reduzir as chamadas "perdas por bombeamento" e aumentar a eficiência ao possibilitar o uso de menos combustível. Entretanto, sacrifica parte da potência e do torque. Tal expediente vem sendo referido incorretamente como "ciclo Atkinson", mas não passa de um motor do ciclo Otto, e não chega a ter a eficiência tão próxima à do ciclo Diesel...

Num país onde o uso de motores Diesel sofre restrições jurídicas absurdas e obsoletas, os híbridos aparecem como uma boa opção para reduzir o impacto financeiro do custo da gasolina e do etanol devido à redução proporcionada no consumo, sobretudo em meio ao pesado trânsito urbano. Entretanto, em países com uma política mais liberal em relação ao Diesel, diversos testes independentes, feitos em condições de uso mais próximas do que um consumidor comum faz, apontaram vantagem para veículos equipados apenas com motor Diesel contra híbridos a gasolina, tanto na cidade quanto em estrada, onde as vantagens são ainda mais significativas devido à menor atuação do motor elétrico que juntamente com a bateria tracionária passa a ser um peso morto prejudicando desempenho e consumo.

Vale destacar o caso do Toyota Prius, que com a aerodinâmica bem apurada, relação de diferencial mais longa e abastecido com gasolina de boa qualidade (indisponível para o consumidor brasileiro que tem sempre de escolher a "menos pior") consegue médias de consumo facilmente superadas por um veículo rústico como o Suzuki Samurai ao se adaptar um motor Diesel, mesmo que seja um mais arcaico como o Volkswagen 1.6L de injeção indireta e 50hp na versão aspirada ou 70hp com turbo, apesar da aerodinâmica comparável à de um tijolo, das relações de marcha mais curtas e da péssima qualidade do diesel brasileiro, com alto teor de enxofre e cinzas, além da contaminação com água que ocorre com relativa freqüência em postos brasileiros.
Apesar do espaço interno mais limitado no Samurai, ainda há outras opções como o Suzuki Vitara. Um tio meu teve um Vitara na versão com chassi longo e carroceria de 4 portas adaptado com o motor Volkswagen de 50hp, e em trânsito urbano chegava a rodar 18 quilômetros com um único litro de óleo diesel, chegando próximo dos 21 na estrada. E ainda podia ir a lugares inacessíveis a um Prius...

Além do peso, as baterias usadas em híbridos ainda apresentam outras desvantagens, que acabam pondo abaixo alguns argumentos favoráveis à redução do consumo em comparação com um similar movido somente a gasolina. Desde a mineração do níquel e outros materiais usados na produção dos compostos químicos até a montagem final das células, muita energia é gasta e ainda ocorre contaminação química do solo e lençóis freáticos. No caso da região da província canadense de Ontario, onde se extrai o níquel, acabam se formando paisagens que mais parecem uma sucursal do inferno...

Levando tal fator em consideração, até mesmo um pesado e quadradão Hummer H2 pode ser apontado como mais "verde" que um Prius, por exemplo, mesmo que o motorzão V8 de generosa cilindrada acabe consumindo uma quantidade considerável de gasolina, com a possibilidade de usar etanol nas versões flexfuel (recurso indisponível ao Prius) e até mais fácil de converter para rodar com combustíveis gasosos por não sofrer com alterações na fase de admissão devido à simulação do efeito Atkinson.

Logo, um modelo mais leve e com menos prejuízos à aerodinâmica como o esportivo Chevrolet Camaro pode trazer resultados ainda melhores.
Ainda, as relações de marcha mais longas possibilitam a manutenção de rotações mais baixas ao trafegar em velocidade de cruzeiro.

Entretanto, a arrogância e a ignorância habituais de grande parte dos proprietários de modelos como o Toyota Prius faz com que deixem de lado qualquer argumentação técnica racional e partam para a baixaria, levando eventualmente a agressões e/ou ofensas gratuitas dirigidas a proprietários de veículos com um sistema de tração mais tradicional que gastem mais combustível (ou não). Na prática, vão atrás de um objetivo imediato de economizar que poderia ser alcançado com um Volkswagen Golf com motor Diesel, mas a lavagem cerebral dos discursos de "ecologistas-melancia" (verdes por fora mas vermelhos por dentro) acaba sendo bastante atrativa para alguns consumidores menos esclarecidos...
Mesmo considerando que todo o processo logístico envolvido na produção de uma única bateria tracionária usada no Toyota Prius, com vida útil estimada entre 7 e 10 anos, emita mais material particulado do que uma caminhonete com motor Diesel em operação durante 20 anos, além da série de processos industriais com todos os vapores químicos invisíveis a olho nu e a escória de minérios despejada em locais inadequados a receber resíduos tóxicos, não é incomum que tais fatores sejam convenientemente ignorados por grande parte dos proprietários do Prius, empolgados com toda a jogada de marketing que atribui ao modelo uma aura ecológica exagerada como se lhes outorgasse o direito de desrespeitar usuários de veículos mais tradicionais.
Outro fator que aumenta o risco ambiental dos híbridos está relacionado ao descarte inadequado das baterias quando atingem o final da vida útil. Ao considerar o intenso comércio de veículos japoneses de segunda mão na África, América Latina, Oriente Médio e antigas repúblicas soviéticas, há de se considerar que em muitas regiões não há uma infra-estrutura adequada para promover a correta destinação das baterias e encaminhamento para a reciclagem, fazendo com que eventualmente sejam descartadas em ambientes com menos controle dos riscos provenientes do vazamento de alguma célula, liberando materiais contaminantes no solo, ar e lençol freático.

Ainda, vale destacar a maior dificuldade para fazer modelos como o Prius rodarem com combustíveis alternativos provenientes da biomassa, enquanto tal procedimento é bastante fácil num Diesel. Até mesmo o etanol pode ser usado com facilidade em motores Diesel com mais eficiência que no ciclo Otto, ainda que a ignição por compressão os impeça de usar combustíveis gasosos puros (sem a injeção de um combustível líquido para gerar centelha compensando a ausência da vela). Entretanto, num motor Otto que emula o funcionamento do ciclo Atkinson por meio de um tempo mais longo de abertura das válvulas de admissão, combustíveis gasosos acabam sendo desperdiçados ao serem liberados juntamente com ar pelo coletor de admissão se não for usada injeção direta, e no caso do metano (principal componente do GNV) vale lembrar que tem uma ação 30 vezes mais intensa que o dióxido de carbono como gás estufa. E também não podem usar biodiesel ou mesmo óleo de cozinha velho como um motor Diesel.

Na teoria é muito bonito o discurso dos entusiastas dos híbridos, mas na prática há uma série de falhas que muitos insistem em não tratar com a devida seriedade...

5 comentários:

  1. Pois é Kamikaze, muitas vezes os ditos ecologistas se entusiasmam demais com a verve "ambiental" de modelos como o Prius, o Insight, o Leaf (entre outros), sendo que as fábricas ocultam o processo de produção e descarte de baterias.

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    1. Eles sabem como é o processo de produção e reciclagem de baterias, mas o negócio deles é tumultuar. Fazem um escândalo por causa de pilhas descartáveis, mas parecem ignorar que mesmo as recarregáveis perdem capacidade de armazenamento com o tempo.

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  2. Buenisimo el Samurai. Pero me gustan más los motores Toyota y Isuzu que el Volkswagen que lo usan los Audis TDI. El 2C que lo usaba el Corolla es buena onda y más fácil de encuentrar repuestos.

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