sábado, 18 de fevereiro de 2012

Racionalização da plataforma de carga: uma medida eficiente para diminuir o caos no trânsito

Muito se discute (e quase nada se resolve) sobre a falta de fluidez que vem acometendo o trânsito urbano das principais cidades brasileiras, constantemente atribuído ao "grande número de veículos em circulação", quando a verdadeira raiz do problema é a falta de readequações necessárias à estrutura viária ou pura incompetência de profissionais da engenharia de tráfego, além de interesses politiqueiros obscuros. Há ainda quem alegue oposição a uma alegada "popularização do automóvel", equivocadamente classificando o cidadão de formação cultural mais humilde que opta pelo veículo particular para fugir dos precários e desconfortáveis sistemas de transporte coletivo urbano como parte do problema quando na verdade é tão vítima da falta de infraestrutura viária quanto o proprietário de um carro de luxo. Eu não vou negar que nem todo cidadão tem, de fato, condições de manter um automóvel adequadamente e sem sacrificar a segurança, mas atribuir ao pobre a "obrigação" de ser confinado num ônibus lotado visando apenas deixar o leito carroçável livre para o rico desfilar de carro importado não faz o menor sentido.

Entretanto, uma forma de atenuar o problema dos congestionamentos e da dificuldade em encontrar vagas para estacionamento vem sendo tratada com algum descaso no mercado brasileiro: a racionalização da plataforma de carga. Muito popular no Japão, onde a tributação também é relacionada ao tamanho dos veículos, minivans como a Toyota FunCargo são bastante apreciadas por manter um bom nível de conforto e espaço interno apesar da carroceria mais compacta, apesar do aspecto mais associado a um furgão de carga ser eventualmente menos atrativo a alguns consumidores mais tradicionais que prefiram a aparência mais formal de um Corolla...

Durante a década de 90, com o sucesso do Plano Real no controle da inflação, uma grande variedade de modelos japoneses e coreanos começaram a aparecer nas ruas brasileiras. Um bom exemplo é a Towner, minivan da Asia Motors coreana que segue a linha de modelos japoneses da classe kei.
Ainda que fosse menor que um carro popular brasileiro, o espaço interno é comparável a modelos maiores, e a tração traseira ainda trazia vantagens à manobrabilidade em áreas mais confinadas. Considerando que o público-alvo dos carros populares costuma priorizar um modelo que proporcione comodidade para o transporte não-especializado, atendendo a aplicações diversas como uma ida à praia com a família inteira ou fazer o rancho do mês no supermercado, as vantagens de uma minivan não devem ser desconsideradas...

Outro caso bastante conhecido de racionalização da plataforma de carga é a tradicional Kombi. Ainda que a posição de conduzir dê margem a comentários irônicos sobre a segurança em caso de colisões frontais, a cabine avançada beneficia o aproveitamento da extensão da plataforma de carga de forma significativa.

Apesar de não ter os mesmos mimos que algumas minivans de projeto mais recente beirando os 5 metros de comprimento, tem uma capacidade volumétrica superior mesmo sendo por volta de 10% mais curta, restrita aos 4,5 metros, apenas 30 centímetros mais longa que um Fusca.

E até mesmo numa comparação com alguns utilitários full-size tipicamente americanos a Kombi acaba apresentando competitividade em aplicações de transporte urbano.
Não é à toa que muitos concorrentes acabaram incorporando a cabine avançada, como a Hyundai HR.

No caso da Kombi, devido ao motor traseiro, há quem faça ressalvas à altura da plataforma de embarque, mas ao considerar a presença de elementos do sistema de transmissão que também acabam ocupando algum espaço e forçam a uma elevação do assoalho para manter o nivelamento, o argumento é derrubado.

Mas, ainda que num utilitário a racionalização da plataforma de carga seja bem aceita, não é tão fácil vencer a ignorância resistência de muitos otários da República das Bananas consumidores brasileiros na hora de adquirir um veículo para uso particular.
Por uma questão "cultural", há quem ainda se oponha ao uso de veículos mais compactos, ainda que possam atender adequadamente às necessidades do usuário e venham incorporando equipamentos de conforto e segurança anteriormente mais restritos a segmentos de mercado mais "nobres".
Considerando a obscena carga tributária embutida no custo dos veículos, registros e insumos para que possam rodar pelas crateras lunares ruas e estradas brasileiras, um abatimento de parte desses encargos visando incentivar o uso de modelos com dimensões mais compactas. Eu não sou favorável a restrições ao direito de possuir um veículo grande se o consumidor puder fazê-lo, ou a alguma sobretaxa contra os mesmos como vem acontecendo com o mercado de carros importados. Do jeito que brasileiro gosta de levar alguma vantagem, um incentivo governamental à racionalização da extensão da plataforma de carga pode acabar sendo bem sucedido...

Um comentário:

  1. Se ve riquisima la Combi roja. Aun que me gusten las minivans modernas y más lujosas esas Combis clásicas son muy bonitas y el espacio es mejor arreglado.

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