Entretanto, em segmentos que vão do esportivo Corvette ao humilde e polivalente Chevrolet Aveo, a motorização dianteira acaba sendo predominante na indústria automobilística mundial.
Vale destacar que, no modelo compacto, está associada à tração dianteira, popularizada pela Citroën com a série "Traction Avant" (7CV Legére, 11CV e 15CV), a título de redução de custos e mais "mansidão" junto a um motorista menos experiente.
Nos "Traction Avant" remanescentes em solo brasileiro, entretanto, acabou sendo comum recorrer à adaptação de tração traseira usando componentes de transmissão da Chevrolet, visto que o motor era montado posteriormente ao eixo motriz, que incorporava o câmbio. Vale destacar que nos Citroën seria possível adaptar o eixo dos primeiros Volkswagen Passat e Santana com 4 marchas, apenas invertendo a rotação do câmbio ao alterar a posição de uma engrenagem, de forma a manter a tração dianteira, ao considerar que era basicamente uma versão do câmbio dos Volkswagen de tração traseira modificado para aplicações com motor e tração dianteiros. Há quem ressalte, contudo, que a tração traseira contribui para uma melhor manobrabilidade em espaços confinados devido à ausência de semi-árvores de transmissão limitando os movimentos da direção, por conseguinte reduzindo o diâmetro de giro (e até certo ponto justificando uma alteração tão drástica num veículo que tem uma respeitável história de ousadia e inovação).
A meu ver, a justificativa de adotar motor e tração dianteiros em nome da redução de custos tão em voga atualmente não me parece fazer tanto sentido. Ao tomar por exemplo as antigas Variant e a Parati, o modelo clássico já leva vantagem considerando o sistema de escapamento mais compacto, demandando uma menor quantidade de tubos metálicos, e ainda menos curvas para desvencilhar-se de outros componentes como o tanque de combustível e o eixo traseiro, diminuindo o custo de produção.
Vale destacar que tal solução acabou sendo adotada no questionável Tata Nano, projetado para ser o carro mais barato do mundo e lançando mão de diversos outros recursos como o extenso uso de adesivos de contato.
Apesar disso, alguns ainda podem apontar um eventual aumento de custo, complexidade e eventualmente sensibilidade num sistema de refrigeração a líquido, caso o radiador seja posicionado à frente como na atual versão da Kombi equipada com o motor EA-111, demandando uma bomba d'água capaz de manter uma pressão mais intensa de modo a evitar "bolhas" de vapor que prejudicariam a circulação, além das mangueiras ficarem mais expostas a obstáculos ao serem montadas sob o assoalho, dificultando eventuais incursões fora de estrada. Porém, além de algumas Kombis antigas e outros veículos Volkswagen com motor traseiro refrigerado a ar ao serem
Pode-se considerar a menor intrusão do motor e sistema de transmissão bastante vantajosa em operações urbanas ao permitir a adoção de uma plataforma de embarque mais baixa, sem degraus, facilitando a acessibilidade para deficientes físicos sem depender de complexas plataformas elevatórias eletro-hidráulicas, que além de representarem mais um elemento a demandar manutenção preventiva está sujeito a falhas e torna o embarque de um passageiro em cadeira de rodas mais demorado, além de não ser apropriado ao acesso de um carrinho de bebê com o mínimo de segurança.
E apesar dos chassis de motor dianteiro, que não costumam ser nada além de um caminhão sem cabine, serem apontados como mais adequados à qualidade questionável da malha viária brasileira, incluindo vias urbanas com calçamento mais irregular e as infames lombadas, isso pode ser considerado um mito, visto que tanto o vão livre do solo quanto os ângulos de ataque e saída não dependem tanto da posição do motor quanto se pode supor.
Por outro lado, para veículos de transporte de mercadorias o motor dianteiro permanece como a opção mais favorável, visto que mesmo nos modelos de tração traseira (ainda considerada mais apta a serviços pesados) a facilidade para executar operações de carga e descarga tanto pela traseira quanto pelas laterais fica menos comprometida. Caso curioso é o da Kombi, em que nos furgões há um desnível no compartimento de carga e nas pickups o assoalho da carroceria é mais alto como num modelo de motor dianteiro e tração traseira mas ainda há um compartimento adicional abaixo, impossível de implementar nos concorrentes...
Ao ser associada à tração dianteira, no entanto, o motor dianteiro acaba por permitir um rebaixamento da plataforma de carga, como no Fiat Ducato, posto que a intrusão no compartimento de carga provocada por elementos de transmissão é eliminada. Tal característica, associada à "mansidão" da tração dianteira, acaba justificando a popularidade do modelo no segmento de ambulâncias.
Logo, tanto a motorização dianteira quanto traseira podem apresentar vantagens, cabendo apenas ponderar a aplicação que o veículo vá receber e conseqüentemente qual configuração vá trazer os melhores resultados...



























Gosto do motor traseiro, mas reconheço que o calombo formado atrás incomoda no compartimento de carga. Para uso urbano a configuração do Ducato dá e sobra; quando o piso perde aderência e vem um aclive, a coisa complica.
ResponderExcluirNão é à toa que o Ducato europeu oferece um sistema de controle de tração, e algumas versões "tropicalizadas" usam um diferencial LSD para tentar compensar a perda de aderência em aclives.
ExcluirSe lo parece muy bueno ese autobús-gusano de Porto Alegre. Me haz recuerdar a unos autobuses sovieticos y chinos pero con un diseño más guapo.
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